Adeus às injeções de insulina? Este implante vivo funciona como um pequeno pâncreas
Imagine ter diabetes e deixar de precisar de administrar insulina várias vezes por dia. Em vez de injeções ou de uma bomba, um pequeno implante com células vivas poderia detetar alterações da glicose e produzir a insulina necessária.
Ainda não é um tratamento disponível, mas a tecnologia já foi testada com resultados promissores em animais.
Uma equipa internacional, que envolve investigadores do Technion , MIT, Harvard, Johns Hopkins e Universidade de Massachusetts, apresentou esta abordagem na revista científica Science Translational Medicine, em janeiro de 2026.
A ideia tenta reproduzir aquilo que acontece naturalmente num pâncreas saudável. As células beta dos ilhéus pancreáticos detetam a concentração de glicose no sangue e respondem produzindo insulina. Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário destrói estas células.
A solução passa por implantar novas células produtoras de insulina. Estas células poderiam funcionar simultaneamente como sensor e como produtor do medicamento: a glicose aumenta, as células detetam essa alteração e respondem com insulina.
O organismo tende a reconhecer células e determinados materiais implantados como elementos estranhos. Macrófagos e outras células imunitárias acumulam-se junto ao implante, provocando inflamação e podendo formar tecido fibroso à sua volta.
Isso dificulta a chegada de oxigénio, nutrientes e glicose às células e também a libertação da insulina produzida. É um dos grandes obstáculos que têm limitado as terapias celulares para a diabetes.
A principal inovação deste estudo é aquilo a que os investigadores chamam " crystalline shield ", ou escudo cristalino.
São cristais de um medicamento que inibe o recetor CSF1R , associado à atividade de monócitos e macrófagos envolvidos na resposta ao implante.
Os cristais são colocados juntamente com as células encapsuladas e dissolvem-se lentamente. Assim, o medicamento atua sobretudo junto ao implante, reduzindo localmente a reação imunitária e a formação de tecido fibroso .
A vantagem é importante: em vez de suprimir o sistema imunitário de todo o organismo, tenta-se proteger apenas a pequena região onde estão as células implantadas.
Nos testes pré-clínicos, esta estratégia permitiu manter enxertos celulares vivos e funcionais durante períodos que chegaram aproximadamente a um ano, dependendo da experiência.
Em ratinhos, células produtoras de insulina encapsuladas conseguiram contribuir para um controlo prolongado da glicose.
A tecnologia também foi estudada em primatas não humanos, onde enxertos alogénicos protegidos permaneceram viáveis e funcionais.
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