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Cabo Verde considera Nobel da Paz a Navi Pillay "justo e meritório"

Notícias ao Minuto - Mundo ·
Cabo Verde considera Nobel da Paz a Navi Pillay "justo e meritório"

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde considerou hoje que a atribuição do prémio Nobel da Paz a Navanethem "Navi" Pillay é "justa e meritória", destacando o seu trabalho em prol do respeito entre etnias.

"É uma decisão justa, meritória, que já devia ter acontecido há uns tempos, mas ela acontece hoje. O momento certo talvez seja este, tendo em vista o que nós conhecemos, o passado da África do Sul, e hoje há uma tentativa muito séria de diálogo, de respeito pelas etnias, de respeito pela religião", afirmou Manuel Amante da Rosa em declarações aos jornalistas em Bruxelas, no final de uma reunião de alto nível entre a União Europeia (UE) e Cabo Verde.

O chefe da diplomacia cabo-verdiana insistiu que "é mais do que justo esse prémio que é dado à senhora advogada da África do Sul".

"Esperemos que outros prémios possam vir a ser dados futuramente em tudo o que diga respeito ao direito humanitário, em prol da elevação da condição da vida humana neste planeta em que estamos", afirmou.

A sul-africana Pillay, de 85 anos, foi reconhecida pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional, indicou o presidente do Comité Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes.

Navi Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e, mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinianos.

A atribuição do prémio Nobel da Paz a Navi Pillay surge também numa altura em que se assiste a uma onda de xenofobia na África do Sul contra migrantes africanos, que já levaram à repatriação de cerca de 180 mil cidadãos do Zimbabué, Maláui, Gana, Moçambique, Nigéria, Quénia, Uganda, Tanzânia e República Democrática do Congo (RDCongo) para os seus países de origem nos últimos meses.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e têm levado a surtos de violência em diversas ocasiões nos últimos anos, resultando em dezenas de mortes, principalmente nos bairros mais vulneráveis.

Os Estados Unidos mantiveram o Brasil na lista de países "em observação" devido ao risco de tráfico humano, mas retiraram Cabo Verde e reconheceram os "esforços significativos" do arquipélago para combater o fenómeno.

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