Consumo. O que tanto gastamos em Portugal?
O consumo privado representa habitualmente uma fatia considerável da riqueza produzida em Portugal, correspondendo a mais de 60% do PIB.
Há dois anos, esse peso era mesmo o terceiro mais elevado na União Europeia, apenas atrás da Grécia e da Roménia.
Mas de que é feito esse consumo? Como evoluiu o peso das diferentes categorias de despesa na última década? E como se compara Portugal com os restantes países da União Europeia? Os produtos alimentares e as bebidas não alcoólicas destacam-se, representando 20,7% do cabaz utilizado pelo Eurostat para calcular a inflação em Portugal em 2026.
É o quarto valor mais elevado da última década, superado apenas pelos pesos registados em 2021, 2022 e 2025.
É também o sétimo mais elevado da União Europeia.
Sem surpresas, o peso da alimentação tende a ser maior em países de menores rendimentos: dos seis Estados-membros que surgem à frente de Portugal, apenas a Lituânia tem um PIB per capita mais elevado do que o de Portugal, depois de ajustadas as diferenças de poder de compra.
À primeira vista, seria de esperar que a habitação surgisse na liderança, mas, neste cabaz de consumo, que abrange apenas despesas monetárias, não são incluídas as prestações do crédito à habitação, nem se atribui aos proprietários uma renda hipotética pela utilização da casa própria (as chamadas rendas imputadas).
Como cerca de 71% da população vive em casa própria, o peso relativo da habitação fica diluído no cabaz.
Quando se considera também o consumo não monetário, que inclui as rendas imputadas, a categoria da habitação já passa para o primeiro lugar, como mostra o Inquérito às Despesas das Famílias do INE: representava 39,3% da despesa total média.
O problema é que estes dados se referem a 2022/23, um período já distante.
A habitação, água, eletricidade, gás e outros gastos com a casa representam, por isso, apenas 8,25% do cabaz de consumo.
Portugal é o terceiro país com o peso mais baixo na UE e, em relação a 2017, há uma descida de 1,1 pontos percentuais.
A queda explica-se, em grande medida, pela redução do peso conjunto da eletricidade, gás e outros gastos, de 4,2% para 2,9%.
As rendas pagas, que correspondem a cerca de metade desta categoria, tiveram um acréscimo de 0,5 pontos percentuais numa década, para 4,2%.
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