ONU pede a Israel que cesse ataques na Síria
As Nações Unidas pediram esta terça-feira a Israel para cessar a sua ofensiva sobre a Síria, depois de o Estado judaico ter confirmado ter atacado um aeroporto militar no noroeste do país mediterrânico, argumentando que a base iria receber tropas turcas.
“Trata-se de outra violação muito preocupante da integridade territorial e do espaço aéreo da Síria. Estes ataques aéreos devem cessar e, obviamente, opomo-nos a eles”, afirmou em conferência de imprensa o porta-voz da Secretaria-Geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric.
O Governo israelita confirmou ter atacado um aeroporto militar no noroeste da Síria esta terça-feira, alegando que Damasco “esteve prestes a quebrar” o acordo “de statu quo em matéria de segurança” entre ambos os países, “ao permitir que tropas turcas se deslocassem” para a base , situada nos arredores de Idlib.
Israel atacou de madrugada com aviões de guerra a pista do aeroporto, apontando ter “avisado repetidamente a Síria de que esta deslocação [de tropas] poria em risco a segurança” do país.
A ofensiva causou danos materiais, embora não tenham sido reportadas vítimas , informou a televisão estatal síria. A Turquia, por sua parte, rejeitou esta quarta-feira as acusações de Israel.
Damasco responsabilizou Israel por esta escalada e fez um apelo à comunidade internacional e ao Conselho de Segurança da ONU para que condenem “claramente esta agressão e adotem uma postura firme contra as reiteradas violações israelitas da soberania síria”.
O Governo sírio expressou que a continuidade dos ataques de Israel desde 8 de dezembro de 2024, quando o presidente Bashar al-Assad foi derrubado, até esta quarta-feira “revela mais uma vez as tentativas da ocupação israelita de minar estes esforços e arrastar a região para uma maior tensão e instabilidade”.
Por outro lado, sublinhou que o Estado sírio “está comprometido com a contenção e trabalha para consolidar a estabilidade e evitar uma escalada”.
O país mediterrânico tem sido um dos menos atingidos do Médio Oriente pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel no Irão a 28 de fevereiro, embora tenha sido afetado economicamente.
Sob a presidência de Ahmed al-Sharaa, a Síria evita a participação direta nos combates, ao mesmo tempo que mantém uma atividade diplomática e de segurança que tem permitido a Damasco aproveitar a crise regional para consolidar a sua nova posição na região após a queda de Al-Assad.
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