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Quem mais ganha com a moção de censura?

Diário de Notícias ·
Quem mais ganha com a moção de censura?

A moção de censura ao Governo que o Chega vai apresentar no Parlamento, a propósito das polémicas a envolver o ministro Luís Neves, poderá trazer pequenos ganhos de posição a dois dos três partidos mais votados em Portugal e um problema de médio/longo a prazo a apenas um deles.

Para perceber que vantagens poderão ter o PSD, o Chega e o PS (e em que riscos incorrem) com esta manobra de André Ventura, importa olhar para a forma como chegamos até aqui.

Os sucessivos casos revelados pela imprensa – as obras executadas no monte de Luís Neves pelo mesmo empreiteiro que fazia contratos com a PJ; o reboque apreendido numa operação antidroga que foi parar ao estaleiro do mesmo empreiteiro, entre outras – não fizeram cair o ministro.

O Chega foi vocal a pedir o seu afastamento, o PS nem tanto.

Quanto a Luís Neves, tentou explicar-se em vários momentos – com graus de êxito muito díspares –, mas, quanto mais não fosse, conseguiu deixar duas ideias claras: não estava na sua cabeça a ideia de se demitir por pressão externa ao Governo e as investigações em curso (incluindo uma interposta, a seu pedido, pela colega da Justiça) iriam comprovar que não tinha havido qualquer ilegalidade.

"Seja porque queria manter a polémica viva (uma vez que a cobertura dos media começou a ter menos munições), seja porque queria forçar uma posição mais comprometedora do Presidente da República, André Ventura jogou a cartada de uma moção de censura, quase de certeza condenada ao insucesso." As questões éticas ficariam para outras núpcias.

Montenegro defendeu-o em algumas situações; os restantes ministros do Governo AD muito pouco; as luminárias do PSD também não se atravessaram.

Mas o MAI não caiu, agarrado sobretudo pelo primeiro-ministro e pela ausência de uma posição mais assertiva do Presidente da República sobre este caso que, a acontecer no momento devido, poderia ter sido fatal.

Esta “resiliência” levou André Ventura a apontar a Luís Montenegro, atirando primeiro a ideia de que o líder do executivo não fazia nada por ter “telhados de vidro” com o Caso Spinumviva , depois porque não admitia escrutínio sobre o seu Governo e, por último, a teoria da conspiração (não podia faltar) de que é Luís Neves, e já não Montenegro, quem manda nos destinos dos ministros e do Governo.

Supostamente por ter sido diretor Nacional da Polícia Judiciária.

O MAI não caiu.

Seja porque queria manter a polémica viva (uma vez que a cobertura dos media começou a ter menos munições), seja porque queria forçar uma posição mais comprometedora do Presidente da República, André Ventura jogou a cartada de uma moção de censura, quase de certeza condenada ao insucesso.

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