Liga dos Bombeiros preocupada com impacto de greve do INEM
"A Liga dos Bombeiros Portugueses vê sempre com grande preocupação quando pode haver qualquer elemento perturbador no âmbito do sistema integrado de emergência médica e da prestação de cuidados no âmbito da emergência pré-hospitalar", afirmou à Lusa António Nunes, presidente da LBP.
Na quarta-feira, após uma reunião de várias horas com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e o presidente do INEM, Luís Cabral, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) manteve a greve marcada para 14 e 28 de setembro, por causa da reorganização dos meios do instituto, entre as quais a alocação das 56 ambulâncias de emergência médica para a transferência de doentes entre hospitais e a transformação de ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras, que não fazem transporte de doentes para hospitais.
"Naturalmente que respeitamos todos os direitos que cada uma das estruturas tem, mas estamos sempre bastante preocupados porque os bombeiros, sendo a primeira linha de intervenção em cerca de 90% dos casos de emergência pré-hospitalar, estão sempre condicionados pela mobilização que é feita através dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes" (CODU), afirmou António Nunes, salientando que qualquer "falha de funcionamento nestas estruturas" afeta "diretamente as questões do socorro imediato às vítimas.
"Isso deixa-nos preocupados no sentido de que não queremos que a assistência à população possa ser posta em causa", explicou o dirigente, que não quis comentar as reivindicações do sindicato, mas disse que a LBP concorda com algumas das mudanças propostas.
"A Liga teve várias conversas e reuniões com o INEM sobre o pensamento do Instituto para a emergência pré-hospitalar. (...) Há áreas em que a Liga não se intromete nem dá a opinião, mas concorda que os bombeiros, e também a Cruz Vermelha, tenham capacidade para assegurar o suporte básico de vida", retirando o exclusivo destes recursos ao instituto.
Sobre a colocação de ambulâncias do INEM ao serviço das Unidades Locais de Saúde – uma proposta em que o STEPH disse já existir alguma aproximação nas negociações -, António Nunes admitiu que esse é um problema antigo já discutido.
"O transporte de doentes inter-hospitalares está a ser feito muitas das vezes pelos postos de emergência médica e nós achamos que devem ser feitos por ambulâncias diferenciadas e não por ambulâncias dos postos de emergência médica, retirando às populações muitas vezes a assistência imediata", disse António Nunes, que salientou a importância dos bombeiros voluntários para que o país atenda os doentes urgentes.
"Os bombeiros são o parceiro mais confiável, o parceiro que tem mais recursos, em termos de atomização das nossas estruturas, portanto é normal que a emergência médica em Portugal se tenha baseado desde 1972 nos bombeiros e que se vá continuar a basear nos bombeiros", concluiu o presidente da LBP.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.