França, o novo ponto fraco do euro
Durante anos, a dívida francesa foi tratada pelos mercados como um problema lento, desconfortável mas gerível.
Em setembro e outubro, isso mudou.
A taxa de juro a 10 anos chegou aos 5%, o valor mais alto desde 2002, e o diferencial face à dívida alemã ultrapassou os 150 pontos base, o máximo desde 2011.
Pela primeira vez em muito tempo, Paris paga mais para se financiar do que Itália e Grécia, os países que durante a crise do euro serviam de aviso.
Os números de base explicam parte da inquietação.
A dívida pública atingiu 3,6 biliões de euros no segundo trimestre, cerca de 119% do PIB, contra 115,6% um ano antes.
O défice de 2026 deverá ficar nos 5,4%, quase o dobro do limite europeu de 3%.
Mas o que assusta os investidores não é apenas o nível, é a trajetória e a credibilidade de quem a deveria corrigir.
Segundo o BNP Paribas, a França falhou as metas orçamentais em três dos quatro anos entre 2023 e 2026.
É aqui que a política pesa mais do que a aritmética.
Desde as legislativas antecipadas de junho de 2024, os governos sucedem-se sem maioria.
O atual, liderado por Sébastien Lecornu, apresentou um orçamento para 2027 com cerca de 54 mil milhões de euros de poupanças e receitas adicionais, dois terços em cortes de despesa.
A votação está marcada para 17 de novembro, e as presidenciais de 2027 já condicionam cada negociação.
Quando o calendário político domina o orçamental, o mercado cobra um prémio de risco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.