40% menos tempo para construir: a nova era da construção
A construção sustentável deixou de ser uma tendência para passar a ser uma necessidade, mas Portugal ainda tem uma distância considerável entre aquilo que já sabe fazer e o que efetivamente faz.
Para Asier Amorena, CEO da Saint-Gobain Portugal, a eficiência dos edifícios terá de ser pensada de forma integrada, do isolamento aos sistemas AVAC, passando pelo carbono incorporado dos materiais.
E há desperdícios que continuam praticamente invisíveis, mas que podem custar milhares de euros por ano.
A construção sustentável está a deixar de ser uma questão de futuro para se tornar uma exigência do presente.
Em Portugal, a pressão da regulamentação europeia, as metas de descarbonização e uma maior consciência dos promotores e investidores estão a acelerar a transformação do setor.
Mas, apesar dos avanços, continua a existir um fosso entre o que é tecnicamente possível e o que chega efetivamente às obras.
A conclusão é de Asier Amorena, que considera que o país reúne condições para assumir uma posição de referência na construção sustentável, embora ainda tenha “caminho a percorrer”.
O responsável aponta sobretudo para o parque edificado existente, grande parte do qual foi construído antes das atuais exigências de eficiência energética, com problemas de isolamento, consumos elevados e sistemas técnicos pouco eficientes.
“Hoje, a sustentabilidade já não pode ser avaliada apenas pela eficiência energética durante a utilização do edifício”, afirma.
A análise, defende, tem de abranger todo o ciclo de vida: dos materiais utilizados ao carbono incorporado, passando pela circularidade, qualidade do ar interior e conforto térmico e acústico.
Asier Amorena Construir melhor sem tornar a habitação ainda mais cara O desafio é particularmente complexo num setor pressionado em várias frentes: é preciso construir mais habitação e infraestruturas, acelerar a reabilitação e, simultaneamente, reduzir a pegada ambiental dos edifícios.
Tudo isto num contexto de escassez de mão de obra qualificada.
Para Amorena, a sustentabilidade não pode, contudo, ser analisada apenas à luz do investimento inicial.
Algumas soluções podem representar um acréscimo de 5% a 10% face a uma construção convencional, admite.
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