Nacional-Alverca, 1-3 (crónica)
Durante 31 minutos, Nacional e Alverca foram jogando uma espécie de partida de xadrez em câmara lenta. Havia ameaças, respostas e guarda-redes atentos, mas faltava o golpe que desequilibrasse a balança. Depois veio a pausa para hidratação. E, quando o jogo recomeçou, o Alverca parecia ter encontrado o botão do acelerador.
Foram oito minutos. Só oito. Mas chegaram para marcar três golos, desmontar o Nacional e transformar uma partida equilibrada numa vitória aparentemente confortável.
Até aí, Renato Marín já tinha sido chamado a intervir perante remates de Davy Gui e Dawda Camará, enquanto Matheus Mendes também respondera bem a uma tentativa de Pablo Ruan. Aos 27 minutos, Marín voltou a aparecer em grande estilo para negar o golo a Camará, com uma sapatada que parecia prolongar o equilíbrio.
Aos 31 minutos, as duas equipas tiveram direito a alguns minutos para recuperar do calor que se fazia sentir na Madeira e reorganizar ideias. Quando voltaram ao relvado, o Alverca apareceu com outra rotação. Não foi a pausa, por si só, que ganhou o jogo, mas o regresso dos ribatejanos coincidiu com um vendaval que o Nacional não conseguiu travar.
Aos 34 minutos, Chiquinho ganhou espaço pela direita e cruzou rasteiro. Chissumba apareceu na área sem oposição, teve tempo para escolher o remate e colocou a bola junto ao poste para abrir o marcador.
Dois minutos depois, o Alverca voltou a atacar pelo mesmo lado. Diogo Spencer cruzou para o segundo poste e Dawda Camará apareceu nas alturar para cabecear para o fundo das redes.
O Nacional estava atordoado e o Alverca percebeu. Aos 42 minutos, Chissumba voltou a cruzar rasteiro, a bola atravessou toda a área, Diogo Spencer recolocou-a no coração da zona de perigo e Camará apareceu para desviar de calcanhar, bisando na partida. Oito minutos que explicavam praticamente toda a história da primeira parte.
O intervalo chegou como uma espécie de salvamento para o Nacional, que precisava de começar tudo outra vez. A reação apareceu logo aos 49 minutos: Pablo Ruan assistiu Matchói Djaló de cabeça e, com a baliza aberta, o jogador atirou por cima.
A equipa da casa insistiu. Aos 64 minutos, pediu grande penalidade por uma queda de Pablo Ruan na área, mas o VAR analisou o lance e Miguel Fonseca manteve a decisão de não assinalar penálti.
O golo apareceu aos 81 minutos e nasceu de uma sequência que quase parecia uma metáfora para a segunda parte: persistência. Song cruzou da esquerda, Obando cabeceou primeiro ao poste e, na recarga, conseguiu finalmente bater Matheus Mendes.
Era o 3-1 e havia ainda tempo para acreditar. Mas o Alverca já tinha construído uma vantagem demasiado confortável. Soube sofrer nos minutos finais, controlou a reação do Nacional e levou da Madeira a primeira vitória no campeonato.
Para o Nacional, fica a quarta derrota consecutiva e o 13.º lugar, com quatro pontos. Para o Alverca, uma vitória que vale subida ao décimo posto, com cinco pontos.
Bis em oito minutos, primeiro de cabeça e depois de calcanhar.
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