Eleições no Brasil. Sondagens investem em inovação mas diversidade ainda é desafio
Lula da Silva está um pouco à frente de Flávio Bolsonaro, os dois devem seguramente disputar a eleição voto a voto no segundo turno, e Augusto Cury lidera, à frente de Ronaldo Caiado e Renan Santos, o pelotão da terceira via.
Este é o quadro geral que as sondagens (pesquisas, no Brasil) eleitorais desenham para a eleição de 4 e 25 de outubro – mas por trás dessas conclusões há muito trabalho dos institutos, que se dedicam dia a dia, ou hora a hora, a desvendar o eleitorado.
A Quaest, por exemplo, usa a “clusterização espacial”, uma técnica que agrupa municípios e setores censitários com características semelhantes para selecionar os 120 municípios da amostra.
E o modelo “likely voter”, ou seja, não apenas pergunta em quem a pessoa pretende votar, como tenta estimar a probabilidade de ela comparecer mesmo à urna.
Já o Datafolha usa IA para controle de qualidade.
“Utilizamos na 'checagem' dos questionários e em outros processos internos para agilizar as etapas das pesquisas, por exemplo, para comparar a gravação realizada pelo tablet no momento da entrevista com a resposta anotada pelo pesquisador no questionário.
Isso garante uma checagem mais rápida”, conta ao DN Brasil a diretora-geral do instituto paulista, Luciana Chong Rodrigues.
Todos os principais institutos, no entanto, continuam a enfrentar velhos desafios num Brasil que reúne diversos Brasis: para se fazer uma pesquisa no quinto maior país do planeta é preciso ter em conta as enormes diferenças entre regiões e entre as grandes e pequenas cidades, além dos contrastes socioeconómicos, religiosos e culturais e do difícil acesso, por razões diferentes, tanto a favelas como a condomínios fechados.
“É um país muito grande e muito desigual em relação à renda e escolaridade, principalmente.
Essa desigualdade é um dos fatores pelos quais consideramos que a abordagem presencial para pesquisa eleitoral ainda é a melhor forma para conseguirmos acessar os eleitores de todos os níveis sociais e em todas as regiões do país.
Em algumas cidades do interior os pesquisadores, muitas vezes, precisam utilizar mais de um meio de transporte, como ônibus e até barco para chegar nos municípios mais afastados”, conta Chong.
A forte polarização – segundo a Quaest, os eleitores que não sabem se definir entre esquerda, centro e direita caíram de aproximadamente 20% em 2002 para cerca de 4% atualmente – é um dos dados políticos novos desde, sobretudo, 2018.
Para a diretora-geral do Datafolha, “houve uma mudança significativa na política brasileira com a vitória de Jair Bolsonaro”.
“Após sua vitória ficou muito evidente a divisão e polarização no país, fato que se mantém até hoje.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.