Escala a guerra económica: esta é a resposta do Canadá aos EUA
A 8 de setembro, o Canadá implementará tarifas que variam entre 15% e 50% sobre mais de 700 produtos americanos, num esforço para igualar as tarifas dos EUA dólar a dólar, anunciaram as autoridades canadianas esta terça-feira.
Notavelmente, o Canadá está a duplicar as suas tarifas sobre o aço e o alumínio americanos para 50%, a mesma taxa que os EUA cobram sobre o aço e o alumínio canadianos. As autoridades canadianas justificaram a medida como um meio de proteger a indústria transformadora canadiana.
As tarifas de retaliação são apenas algumas das ferramentas que o Canadá tem à sua disposição numa crescente guerra comercial com os Estados Unidos.
Além das tarifas, o Canadá também dispõe de outras ferramentas, incluindo restrições a exportações importantes para os Estados Unidos.
Veja o que o Canadá está a fazer agora, o que pode acontecer a seguir — e o que cada medida pode significar para os americanos.
Além do aço e do alumínio, as tarifas de retaliação centram-se em setores como os produtos de papel, materiais de construção, eletrodomésticos e produtos agrícolas, incluindo os produtos lácteos e o marisco.
No total, as tarifas americanas mais recentes abrangem cerca de 5% dos produtos que os EUA importaram do Canadá no ano passado, enquanto as tarifas canadianas abrangem cerca de 6% dos produtos que os EUA exportaram para o Canadá, de acordo com dados comerciais dos EUA.
De um modo geral, o Canadá é o segundo maior mercado de exportação de produtos americanos e está entre os principais destinos de muitos dos produtos visados pelas novas tarifas de importação.
Por exemplo, o Canadá foi o maior mercado de exportação de electrodomésticos americanos no ano passado, comprando mais de mil milhões de dólares em produtos, a maioria dos quais enfrentará agora uma tarifa de 25%.
O risco para os americanos é que as elevadas tarifas canadianas possam enfraquecer a procura destes produtos, o que poderá obrigar os empregadores a reduzir o horário de trabalho dos empregados ou, em alguns casos, a recorrer a despedimentos.
As armas mais poderosas Trump já sinalizou que pode ir além das tarifas mais recentes na sua disputa comercial com o Canadá, ameaçando na segunda-feira duplicar as tarifas sobre os automóveis e as peças automóveis canadianos para 50% a partir de 1 de janeiro.
Se Trump cumprir a promessa — ou intensificar a disputa de outras formas — Otava poderá usar outras armas.
O Canadá poderá restringir as exportações importantes para os EUA, como a energia e um ingrediente essencial para fertilizantes conhecido como potássio, afirmou Diamond Isinger, estratega política e ex-assessora especial para as relações Canadá-EUA do primeiro-ministro Justin Trudeau.
Outra área vulnerável é a da energia elétrica. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, afirmou numa entrevista publicada na segunda-feira que o Canadá deve estar preparado para cortar as exportações de electricidade para os Estados Unidos caso a guerra comercial se agrave, colocando em jogo uma arma potencialmente poderosa. Ontário fornece eletricidade a diversos estados norte-americanos, incluindo Nova Iorque, Michigan e Minnesota.
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