Renamo afasta saída de Ossufo Momade da liderança no Conselho Nacional
A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) afastou hoje qualquer possibilidade de Ossufo Momade renunciar ao cargo de presidente do partido durante o Conselho Nacional agendado para este mês, mas garantiu que não será recandidato à liderança no próximo congresso.
"No dia 04 [de outubro], o presidente disse e deixou claro que não vai se recandidatar no próximo congresso. Em momento nenhum o presidente falou de se retirar do Conselho Nacional. O Conselho Nacional é uma coisa, o Congresso é outra coisa", disse à Lusa o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, à margem da I Conferência Anual sobre Democracia e Eleições, promovida pela Plataforma Eleitoral Decide, que decorre em Maputo.
Em causa está a realização do Conselho Nacional do partido Renamo nos dias 21 e 22 de outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja direção, liderada por Ossufo Momade, continua a ser alvo de forte contestação interna.
Em declarações à Lusa, o porta-voz da Renamo confirmou que o Conselho Nacional do partido vai decorrer nos dias antes avançados, indicando que cabe apenas à Comissão Política do partido divulgar a sua respetiva agenda.
"O Conselho Nacional é soberano, o Conselho Nacional é o órgão deliberativo em intervalo entre dois Congressos. Neste momento, vamos para o Conselho Nacional e com os conselheiros, vamos discutir a vida e a saúde do partido", frisou Marcial Macome.
A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos críticos internos de Ossufo Momade, como o histórico e ex-deputado António Muchanga, que defende publicamente a saída do líder, e também por antigos guerrilheiros, que têm ocupado sedes do partido em protesto.
O Conselho Nacional chegou a estar convocado para março, mas não se realizou, tendo sido promovida em alternativa uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, província de Manica.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de "má gestão", falta de pagamento de pensões e subsídios e de "incompetência total" face à crise no partido.
Em 02 de outubro, os ex-guerrilheiros deste partido exigiram participar no Conselho Nacional do partido, previsto para este mês, avisando que não vão dar "sossego" à formação caso sejam excluídos.
Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre para um candidato apoiado pela Renamo. Nessas eleições, o partido perdeu igualmente o estatuto de principal força da oposição.
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