Afinal, a corrente não é imparável
Vão-se sucedendo um após outro os países que legalizam a eutanásia e/ou o suicídio assistido, como se de uma corrente imparável se tratasse e como se fosse inglório e votado ao insucesso o esforço de a contrariar. O último foi a França. A Itália parece seguir o mesmo caminho, no que ao suicídio assistido diz respeito, por imposição do Tribunal Constitucional. Era de esperar que se seguisse o Reino Unido, onde a questão vinha sendo discutida nos últimos dois anos, depois de em anos mais recuados ter sido recusada tal legalização mais de uma vez. Mas, para surpresa de muitos, essa legalização foi rejeitada (com sucedeu também na Escócia em março). Afinal, a corrente não é imparável…
Numa primeira votação da Câmara dos Comuns, em 2024, a legalização do suicídio assistido foi aprovada por uma diferença de 55 deputados. Numa segunda votação, em 2025, essa diferença foi reduzida para 26 deputados. Os prolongados debates na Câmara dos Comuns e na Câmara dos Lordes fizeram caducar o projeto inicial. Um novo projeto igual ao inicial foi agora de novo submetido à Câmara dos Comuns e foi rejeitado por uma maioria transversal de 286 deputados de vários partidos contra 270. Vários deputados do Partido Trabalhista mudaram, entretanto, o seu sentido de voto.
Como tem sucedido noutros países, os representantes da Igreja Católica foram claros e firmes nos seus apelos para a rejeição da proposta em discussão, convidando os cidadãos seus fiéis a transmitir esse apelo escrevendo aos deputados que os representam. Embora de modo não tão unânime, também apelaram a essa rejeição os representantes da Igreja Anglicana.
Particularmente significativo foi um estudo de iniciativa governamental sobre o possível impacto da legalização.
Nesse estudo se salienta, sobretudo, o risco de as pessoas mais vulneráveis (com deficiência, doenças mentais, com menor acesso aos serviços de saúde, em situação de pobreza e/ou solidão, vítimas de doença doméstica, minorias étnicas) recorrerem ao suicídio como possível saída para os seus problemas, ou serem de várias formas pressionadas nesse sentido.
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