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Girafa Solar dá eletricidade a quase 45 mil moçambicanos

Notícias ao Minuto - Mundo ·
Girafa Solar dá eletricidade a quase 45 mil moçambicanos

"Não tínhamos um sítio para carregar telefones e tínhamos que caminhar por uma média de talvez uns 10 quilómetros para poder carregar", conta à Lusa Justino Cuna, 39 anos, após a instalação de uma Girafa Solar na localidade de Katembe Nsime, distrito de Matutuíne, província de Maputo.

Alimentada por painéis solares montados sobre uma estrutura elevada de madeira, conhecida como "Girafa Solar", concebida pela Fundação Carlos Morgado, esta permite carregar até 10 telemóveis em simultâneo, fornece iluminação e alimenta um rádio fixado junto à infraestrutura para entreter os residentes.

Em comunidades sem acesso à rede elétrica, tornou-se também um espaço de convívio e encontro. Foi naquele local que Justino encontrou uma nova forma de aproximação aos restantes moradores: "A girafa também serviu como um elo de ligação entre nós".

A estrutura foi instalada em novembro de 2025 junto da comunidade dos chamados "heróis de Matutuíne", formada por mais de 500 pessoas de cerca de 100 famílias que perderam as suas casas devido às cheias registadas desde 2023. Entre tendas improvisadas e habitações erguidas pelos próprios residentes, a "Girafa Solar" transformou-se num ponto de encontro onde se partilham preocupações e se discutem desafios como a falta de água e energia.

"Acreditamos que a Girafa [Solar] transformou as nossas vidas", reforça Justino, que agora consegue manter contacto regular com familiares e amigos.

Desde 2020, a iniciativa permitiu a instalação de 22 "Girafas Solares" em comunidades das regiões norte, centro e sul de Moçambique, acumulando cerca de 44 mil beneficiários em zonas sem acesso à eletricidade. Todos os meses, a bateria de 11 mil telemóveis é recarregada nestas infraestruturas, beneficiando quem ainda vê longe a chegada da rede de eletricidade.

Entre eles está Nora Matsinhe, de 39 anos, que vive na aldeia há quase dois anos e encontrou nesta infraestrutura uma forma mais simples de comunicar com familiares distantes, ao mesmo tempo que convive diariamente com outros moradores.

"Conseguimos carregar o telefone para podermos comunicar com pessoas que estão longe e nos ajuda muito porque de verdade para carregar o telefone antigamente era muito difícil", afirma.

Nora reconhece, contudo, que a procura pelo serviço já ultrapassa a capacidade existente.

"Era preferível mesmo aumentar mais uma girafa [solar], porque na totalidade somos muita gente a carregar", apela.

Com a chegada da eletricidade produzida pelos painéis solares, a rotina da aldeia também mudou. O que antes terminava ao cair da noite, prolonga-se agora durante várias horas, graças à iluminação disponível e aos momentos de convívio à volta da estrutura.

"Antigamente era um pouco difícil mesmo, porque até 18:00 você tem que entrar dentro da casa e tentar dormir, não tinha como, mas agora temos vantagem.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.

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