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Economia

Portugal está parado do ponto de vista das infraestruturas há duas décadas, aponta bastonário dos Economistas

Jornal Económico ·
Portugal está parado do ponto de vista das infraestruturas há duas décadas, aponta bastonário dos Economistas

O bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, disse que Portugal está parado do ponto de vista das infraestruturas há duas décadas, defendendo a necessidade de que os investimentos sejam pensados para produzir efeitos sobre a economia.

Em entrevista ao podcast Lusa Extra sobre o Orçamento do Estado para 2027, divulgado hoje de manhã, o ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações entre 2009 e 2011, apontou que Portugal tem muitas carências de investimentos e “está parado do ponto de vista das infraestruturas há duas décadas, ou mais de duas décadas”.

“Certas infraestruturas públicas, seja agora a alta velocidade, ou o próprio aeroporto [de Lisboa], têm que ser pensados também de forma a produzir efeitos sobre a economia portuguesa”, defendeu o economista, argumentando que é necessário “ver como é que se pode maximizar os impactos em termos do fornecimento daquilo que é necessário pelas empresas nacionais”.

António Mendonça salientou que toda a Europa, neste momento, está preocupada com isso, com a discussão a centrar-se em retomar as políticas industriais, reduzir dependências e vulnerabilidades, tendo em vista as dinâmicas de crescimento económico.

Portugal também tem, à sua dimensão, sendo uma pequena economia aberta dependente do exterior, de fazer um exercício de endogenização das dinâmicas de crescimento, disse, ao dar atenção aos impactos dos investimentos.

“Não é só dar dinheiro, mas é ver em que medida é que esse dinheiro pode produzir escala e produzir efeitos de arrastamento”, argumentou.

O economista considerou que o país precisa de visão estratégica e de recuperar a ideia de planeamento estratégico que já teve no passado, defendendo que “grande parte daquilo que Portugal é hoje resultou dos anos 50, anos 60, praticamente até 1974, dos planos de fomento, em que havia ali projeção de metas a alcançar”, em termos do próprio desenvolvimento da eletrificação, de modernização, de industrialização, sendo que por exemplo os projetos de Sines e do Alqueva nasceram aí.

“Infelizmente, eu julgo que talvez uma das falhas do 25 de Abril foi não ter levado para a frente o quarto plano de fomento”, lamentou, recordando que tal esteve para arrancar, mas não houve consenso em Portugal no sentido de ver como é que se podia adaptar à nova realidade.

No entanto, ao não avançar com esse plano, perdeu-se a dinâmica de projeção de planeamento a médio e longo prazo, concluiu.

O economista salientou ainda que a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), entregue pelo Governo no parlamento em 08 de outubro, prevê uma desaceleração do investimento para o próximo ano, com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sinalizando sentir falta de medidas relacionadas com este contexto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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