Portugal procura equipamentos energéticos sem uso para doar à Ucrânia
O ministro dos Negócios Estrangeiros português referiu que, nesse encontro, o Governo manifestou disponibilidade para ajudar a Ucrânia a nível energético não apenas através de financiamento, mas também do fornecimento de equipamentos.
Em concreto, Rangel indicou que a Ucrânia e Portugal já identificaram um conjunto de empresas que "podem fornecer alguns equipamentos energéticos que servem para a produção de energia elétrica", que neste momento não são usados no país, mas que continuam na posse do Estado ou de empresas nacionais.
"Por exemplo, nas centrais a carvão que já foram desativadas, há muitas peças e material que podem ser muito importantes para a produção de energia na Ucrânia", apontou, reforçando que o objetivo é dar um "apoio em espécie e uma mobilização de algumas empresas que trabalham no setor da energia".
Essas empresas podem ser "cooperantes ou cooperarem diretamente com o Estado ucraniano seja na eliminação de algumas falhas de material, seja até no fornecimento de soluções alternativas", referiu.
Paulo Rangel afirmou que essa ajuda vai ser importante porque, segundo discutiu com Andrii Sybiha, as perspetivas de haver um acordo de paz ou um cessar-fogo nos próximos tempos "são realmente muito baixas".
"Isto também é um diagnóstico que foi ali conversado e, portanto, o conflito irá prosseguir e, sendo assim, obviamente que a preparação da época de inverno é fundamental e aí a resiliência energética tem um papel importante", defendeu, observando que a UE estima que "metade da capacidade elétrica da Ucrânia" foi destruída em ataques nos últimos meses.
Quanto à exigência que tem sido feita pelo Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para que os aliados forneçam mais mísseis intercetores, para reforçar a defesa aérea do país, Paulo Rangel reconheceu que, nesse aspeto, Portugal não tem capacidades para ajudar.
"A nossa capacidade é muito limitada nessa matéria e, portanto, evidentemente que aí não temos um papel, a não ser as contribuições financeiras, por exemplo, que neste momento já vão em 100 milhões de euros para o PURL", o programa da NATO através do qual os Aliados coordenam a aquisição de armamento para a Ucrânia, indicou.
A Rússia tem visado as infraestruturas energéticas ucranianas ao longo da guerra, que soma mais de quatro anos, e costuma visá-las sobretudo no inverno, afetando o aquecimento de milhões de ucranianos numa região em que o frio é intenso.
Segundo dados da ONU, os bombardeamentos russos a estas infraestruturas visam sobretudo os meses entre abril e outubro, quando o clima fica mais frio, e aumentaram exponencialmente este ano.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
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