Tratamentos estéticos prometem rejuvenescimento, mas a ciência ainda não o comprova
Parecer mais jovem não significa necessariamente que a pele tenha rejuvenescido a nível biológico. É esta a distinção levantada por uma nova revisão científica que analisou a investigação disponível sobre alguns dos tratamentos estéticos mais populares.
O estudo , publicado a semana passada no Research Square , analisou 136 publicações sobre procedimentos como preenchimentos, lasers, plasma rico em plaquetas (PRP), ultrassons, microagulhamento e radiofrequência.
Os investigadores procuraram perceber se estes tratamentos produzem apenas alterações visíveis ou se conseguem também modificar de forma significativa a estrutura, a função e as características celulares da pele envelhecida.
Para isso, a equipa desenvolveu um sistema de avaliação com 22 pontos, destinado a analisar diferentes dimensões do chamado rejuvenescimento biológico. Dos 136 trabalhos identificados, 34 estudos primários puderam ser avaliados através deste sistema.
Segundo o ScienceAlert , os resultados revelaram uma lacuna considerável na evidência. 26 dos 34 estudos, ou 76,5%, foram classificados pelos investigadores na categoria de “evidência inadequada”. Nenhum dos trabalhos avaliados ultrapassou os cinco pontos numa escala de 22.
É importante salientar que esta pontuação não mede diretamente a eficácia dos tratamentos. O objetivo foi avaliar quantos tipos diferentes de evidência biológica de rejuvenescimento tinham sido efetivamente investigados.
Segundo o sistema criado pelos autores, a categoria correspondente a “rejuvenescimento” começa nos seis pontos. O estudo que alcançou cinco pontos foi realizado em células em laboratório. Entre os estudos clínicos realizados em seres humanos, a pontuação máxima foi de quatro.
Grande parte da investigação sobre tratamentos estéticos concentra-se no colagénio, uma proteína essencial para a estrutura e a resistência da pele. Alguns procedimentos podem estimular a produção de colagénio e produzir melhorias visíveis na firmeza, elasticidade ou textura da pele.
Contudo, os investigadores defendem que um aumento desta proteína, isoladamente, não é suficiente para demonstrar que uma pele envelhecida recuperou características biológicas de uma pele jovem.
A equipa procurou, por isso, outros sinais, como a organização do tecido recém-formado, alterações na função da pele e modificações celulares associadas ao envelhecimento.
A investigação sobre envelhecimento biológico pode ir ainda mais longe, analisando, por exemplo, alterações na atividade dos genes, marcadores químicos relacionados com a idade biológica, alterações no ADN ou a capacidade de multiplicação das células.
Os resultados não significam que os procedimentos estéticos sejam ineficazes. Preenchimentos podem restaurar volume perdido, determinados tratamentos podem estimular a produção de colagénio e alguns lasers podem melhorar a textura e o aspeto da pele.
A questão é, portanto, se estes efeitos são suficientes para classificar um tratamento como regenerativo ou como capaz de rejuvenescer biologicamente a pele.
Para William Webb , primeiro autor do estudo, não necessariamente.
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