China pede aos EUA fim da "política hostil" à Coreia do Norte
A posição de Pequim foi reafirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, numa reunião, em Seul, com o conselheiro de segurança da Coreia do Sul, Wi Sung Rak, avançou a agência estatal de notícias chinesa, Xinhua.
No mesmo dia em que, de acordo com a agência noticiosa sul-coreana Yonhap, numa outra reunião, o Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, pediu a Wang Yi que a China desempenhe um papel construtivo com vista à desnuclearização da península.
"Por favor, mantenha uma comunicação estratégica estreita com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cho Hyun, e com o conselheiro de Segurança Nacional, Wi Sung-lak, no que diz respeito às relações entre a Coreia [do Sul] e a China e às questões da península coreana", afirmou Lee durante uma reunião com o responsável chinês, em declarações recolhidas pela Yonhap.
Wang saudou a atual aproximação entre Seul e Pequim, garantindo que vai procurar manter "esta tendência positiva" nas relações bilaterais, mas, relativamente às tensões na península coreana, defendeu que "a solução fundamental reside na eliminação das causas profundas do problema e em exortar os Estados Unidos a abandonarem a política hostil em relação à Coreia do Norte", de acordo com fontes do governo chinês.
Wang saudou, no entanto, a perspetiva de coexistência pacífica defendida pelo Presidente sul-coreano, sublinhando que é necessário alcançar um mecanismo de paz e estabilidade duradoura entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.
Estes encontros decorreram um dia depois de depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado que pretende reunir-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, antes do final do ano, numa altura em que procura retomar o diálogo com Pyongyang.
Esta manhã, o Governo sul-coreano contestou a estimativa de Trump sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte, afirmando que Pyongyang pode ter 120 armas nucleares, e não 57, como avançou o republicano na véspera.
"Em termos gerais, estimamos que [o número de armas nucleares na posse da Coreia do Norte] se situe entre 80 e 120, mas é bastante difícil precisar o número exato", afirmou o ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Kyu Baek, numa audiência perante a Comissão de Defesa da Assembleia Nacional.
O ministro admitiu uma divergência com Washington relativamente à estimativa do arsenal nuclear norte-coreano, afirmando que "o número parece ligeiramente diferente" daquele avançado na véspera por Trump, e precisando que os cálculos de Seul se baseiam em "avaliações realizadas por instituições de investigação" sul-coreanas.
A questão nuclear é um tema extremamente delicado na Coreia do Sul, uma vez que o país não reconhece formalmente o vizinho do norte como uma potência nuclear e são raras as referências, pela classe dirigente, à capacidade nuclear ou ao arsenal de Pyongyang.
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