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Ucrânia: Presidência russa disponível para receber mediadores de paz

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Ucrânia: Presidência russa disponível para receber mediadores de paz

"V alorizamos muito os esforços de todos os países que manifestam um desejo sincero de apoiar o processo de resolução do conflito. São poucos os países, mas isso torna esses esforços ainda mais importantes e valiosos", afirmou o porta-voz da presidência russa (Kremlin), Dmitry Peskov, numa conferência de imprensa por telefone.

Peskov, que reapareceu publicamente após cerca de três semanas de ausência, indicou ainda não existir uma data definida para uma eventual visita dos mediadores dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner à Rússia.

"São sempre bem-vindos em Moscovo, interlocutores sempre bem-vindos para os homólogos russos, com quem mantêm contacto constante, e para o Presidente [Vladimir] Putin", afirmou.

Segundo o porta-voz, os dois enviados norte-americanos estão atualmente concentrados "noutros aspetos da política externa dos EUA".

Peskov confirmou igualmente a próxima deslocação a Moscovo do secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, Paul Richard Gallagher, embora tenha indicado que, por enquanto, não está previsto um encontro com Putin.

"Não me vou precipitar em relação aos acontecimentos da próxima semana. Neste momento, não há nenhuma reunião agendada com o Presidente, mas naturalmente haverá contactos", assegurou Peskov.

Questionado sobre uma eventual diminuição do interesse dos países ocidentais pela guerra na Ucrânia, o porta-voz admitiu que essa tendência "existe, sem dúvida", mas avisou contra uma sobrevalorização.

O porta-voz afirmou que vários países europeus continuam a aumentar o envolvimento no conflito, que classificou como "direto, tecnológico, técnico e de outras naturezas".

Peskov destacou o Reino Unido, que, segundo Moscovo, reconheceu recentemente ter fornecido à Ucrânia drones de longo alcance utilizados em ataques contra infraestruturas críticas russas.

Na avaliação do Kremlin, alguns países europeus procuram contrariar o crescente descontentamento com a continuação da guerra e incentivar a manutenção do apoio militar a Kiev.

"Neste momento, dada a postura do regime de Kiev, não há motivos para otimismo quanto a uma solução pacífica", afirmou Peskov, acrescentando que a ofensiva militar russa na Ucrânia prossegue.

O porta-voz comentou ainda o apelo do ex-ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov à realização de eleições no país apesar da guerra.

"O regime em Kiev e a esfera quase política que o rodeia são bastante heterogéneos. Vemos que muitos estão a tentar, naturalmente, tirar partido da situação; alguns estão a tentar invocar a democracia e as normas democráticas, enquanto outros nem sequer tentam", comentou Peskov.

O porta-voz reiterou também a posição de Moscovo de que a permanência de Zelensky na presidência ucraniana após o fim do mandato inicialmente previsto, em maio de 2024, coloca em causa a sua legitimidade.

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