Carneiro foi a Olhão evocar Guterres para a construção de uma “nova maioria”
José Luís Carneiro quer fazer de Olhão o ponto de partida para uma nova maioria socialista.
No arraial popular que marcou a rentrée do PS, o secretário-geral evocou o exemplo de com 1995, quando António Guterres desafiou o PSD de Fernando Nogueira no Algarve com um comício simultâneo – a famosa noite do Pontal e da Pontinha - para apresentar o arraial socialista deste domingo, apenas 48 horas depois da rentrée social-democrata, como o primeiro passo na construção de uma alternativa ao Governo de Luís Montenegro.
“Há 31 anos, tivemos aqui aquilo que foi o pontapé de saída para uma nova maioria liderada por António Guterres.
E hoje, vamos dar um primeiro passo para afirmar uma alternativa de força, de confiança e de esperança para o futuro de Portugal”, afirmou Carneiro.
Mesmo que, desta vez, não haja eleições à vista, ao contrário do que acontecia naquele ano: as próximas legislativas só estão previstas para 2029.
Mas o objetivo socialista, reiterou Carneiro, é começar desde já a construir e afirmar uma alternativa.
E por isso dedicou-se a um longo ataque à governação da AD, procurando contrariar o balanço apresentado por Montenegro dois dias antes, no Pontal.
O secretário-geral socialista acusou o primeiro-ministro de ter feito um discurso de “auto-justificação” e de censura a quem escrutina o Governo.
“Há a dizer que o Rei vai mesmo nu”, afirmou, desfiando o que apontou como sucessivos exemplos de impreparação do Executivo da AD, nas respostas ao apagão, aos incêndios de 2025 ou às tempestades do último inverno.
Um dos ataques mais duros recaiu sobre a Educação e a polémica dos exames nacionais.
Carneiro acusou o Governo de ter avançado de forma impreparada com a digitalização dos exames e criticou a transferência de responsabilidades do ministro Fernando Alexandre para famílias, professores e escolas.
“O Governo quis avançar impreparadamente com a digitalização dos exames.
Criou uma crise de previsibilidade e prejudicou os jovens, as famílias, as escolas de todo este país.
E quando aguardávamos que pudessem assumir as suas responsabilidades, aquilo que pudemos ouvir foi a sacudir a responsabilidade: primeiro para as famílias, porque tinham tido a ousadia de marcar as suas férias; depois para os professores, que não cooperavam com o Governo; e agora, por último, estão mesmo a ameaçar as escolas com processos disciplinares.
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