Países Baixos mantêm recusa em participar na Eurovisão 2027
“[A estação pública neerlandesa] AVROTROS não participará no concurso Eurovisão da Canção em 2027 porque o evento já não pode ser considerado neutro, com um país participante ainda envolvido num conflito militar de larga escala”, pode ler-se no comunicado esta segunda-feira divulgado.
???? BREAKING NEWS ????: ???????? AVROTROS will not participate in #Eurovision 2027, stating the contest is no longer sufficiently neutral!
The NPO will now decide on #TheNetherlands ' next steps. ❌ #Eurovision #ESC2027 #eurovisiongr https://t.co/6sKWJX6f1V
Citado no mesmo texto, o diretor-geral da estação pública dos Países Baixos, Taco Zimmerman, assinalou que a Eurovisão se transformou numa “plataforma para dividir”, em vez de cumprir a sua missão original de “aproximar as pessoas e os países”.
A estação neerlandesa considera que as alterações recentes anunciadas pela União Europeia de Radiodifusão (UER) não vão longe o suficiente para garantir a confiança “de que o caráter neutro e independente da Eurovisão foi restaurado”.
“O severo sofrimento humanitário em Gaza e as restrições em curso sobre a liberdade de imprensa contribuíram para o aumentar de divisões em torno da Eurovisão nos últimos anos . […] Isto sublinha a necessidade de um enquadramento claro para avaliar a participação de países envolvidos em conflitos militares. Sob que circunstâncias é a participação compatível com uma Eurovisão neutra e quando é que não é? Para a AVROTROS, continua por esclarecer quais as bases para a avaliação da UER”, acrescenta, no mesmo texto.
A participação de Israel no concurso voltou este ano a ser alvo de contestação e de apelos à sua exclusão , tendo levado cinco países — Espanha (um dos membros do grupo dos ‘Big5’, os que mais contribuem financeiramente para a produção do espetáculo), Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia — a boicotarem o concurso.
Os boicotes deveram-se aos ataques militares de Israel no território palestiniano da Faixa de Gaza, que mataram pelo menos 72 mil pessoas desde outubro de 2023 e foram classificados como genocídio por uma comissão internacional independente de investigação da Organização das Nações Unidas.
O concurso realiza-se anualmente desde 1956 e já houve países excluídos, caso da Bielorrússia, em 2021, após a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko, e da Rússia, em 2022, após a invasão da Ucrânia.
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