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Economia

A confiança é um fator económico

ECO ·
A confiança é um fator económico

Na economia moderna, uma boa parte do valor das organizações assenta em fatores que não aparecem de forma autónoma no balanço : reputação, qualidade de gestão, credibilidade da informação, robustez dos mecanismos de controlo interno, cultura ética, capacidade de antecipar riscos e, sobretudo, a confiança que a organização consegue gerar nas suas relações económicas e laborais.

Neste contexto, a confiança não significa uma qualidade desejável, é sobretudo um fator económico .

Penso que é consensual que uma relação económica se baseia sempre, por um lado, em informação incompleta e, por outro, nas expectativas sobre o comportamento futuro da outra parte.

Quase que parece um casamento! É impossível prever todas as contingências e redigir contratos/acordos capazes de antecipar todas as situações .

Quanto maior for o grau de incerteza, maior tende a ser a necessidade de verificação, proteção, supervisão e controlo.

É aqui que a confiança ganha expressão económica: facilita a cooperação, reduz os custos de transação e permite que os recursos — capital, trabalho, conhecimento e tempo de gestão — sejam aplicados de forma mais eficiente.

A OCDE tem vindo a sublinhar precisamente esta relação entre confiança, funcionamento dos mercados, investimento e crescimento económico .

Já falei anteriormente na questão do due diligence , em que duas empresas podem apresentar propostas comerciais semelhantes, mas o custo económico da relação não será necessariamente o mesmo.

A falta de confiança transforma-se, assim, em custo, e é por isso que a confiança pode ser vista como uma espécie de “infraestrutura invisível das relações económicas”, pois quando existe, muitas operações tornam-se mais simples; mas quando desaparece, multiplicam-se os mecanismos necessários para compensar a incerteza.

A economia não funciona apenas através de preços, mas também de expectativas – e a confiança é uma das bases dessas expectativas .

Esta realidade ajuda-nos a compreender por que razão a governação das organizações deixou de ser uma preocupação apenas nas grandes sociedades cotadas ou aos manuais de gestão.

A boa governação tem consequências económicas concretas.

Os Princípios de Governação Corporativa do G20/OCDE 2023 estabelecem expressamente a ligação entre governação, confiança e integridade dos mercados, eficiência económica, crescimento sustentável e estabilidade financeira.

Não esquecer que são as estruturas de governação credíveis que podem melhorar o acesso das empresas ao financiamento, e por conseguinte, promovem o investimento, a inovação e a produtividade .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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