Pedro Nuno Santos sobre a TAP: “Foi um dia divertido. Montenegro disse que era crime político e financeiro”
O ex-líder do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, pronunciou-se esta quinta-feira, em entrevista à CNN Portugal, sobre a reprivatização da TAP, com quase metade do capital a ser adquirido pelo grupo alemão Lufthansa, de acordo com decisão do Conselho de Ministros conhecida esta quarta-feira.
Pedro Nuno Santos exerceu o cargo de ministro das Infraestruturas e da Habitação entre fevereiro de 2019 e janeiro de 2023 e partilhava a tutela setorial da TAP quando o Governo decidiu avançar com um auxílio de emergência à companhia aérea, que estava com dificuldades de tesouraria devido à pandemia de covid-19.
Aquela intervenção estatal, com o aval da Comissão Europeia, custou 3.200 milhões de euros, levou à execução de um plano de reestruturação que envolveu despedimentos e cortes salariais e ao pagamento de 55 milhões de euros ao ex-acionista privado David Neeleman para sair da companhia aérea, após um impasse com o Estado.
Para o antigo líder socialista, a passada quarta-feira, dia em que se conheceu o desfecho da primeira fase da reprivatização da TAP, acabou por ser “um dia divertido” até porque “só existiu porque houve alguém e houve um Governo que resgatou e salvou a TAP”.
Pedro Nuno Santos fez ainda considerações sobre declarações de Luís Montenegro na altura do resgate à TAP: “Durante anos, o PSD fez um massacre contra a intervenção e contra a decisão que foi feita na altura. Luís Montenegro disse que era um crime político e financeiro e que era impossível algum dia recuperar o investimento que foi feito
“O que pudemos confirmar ontem é que o PSD, a AD e Luís Montenegro estiveram estes anos enganados ou a enganar o povo português porque nos termos deles, nós vamos recuperar o investimento que foi feito na TAP”, concluiu.
O Governo escolheu a Lufthansa para adquirir até 49,9% da TAP, numa disputa com a Air France-KLM, e admite avançar posteriormente com a privatização total da companhia, numa operação que poderá permitir recuperar os apoios públicos concedidos.
Os dois grupos chegaram à fase final do concurso com propostas consideradas tecnicamente muito equivalentes, mas o executivo optou pela oferta do grupo alemão, que classificou como financeiramente superior e com menor grau de incerteza.
O negócio prevê investimentos em Portugal, alterações na gestão da TAP e a possibilidade de o Estado vir a tornar-se acionista da Lufthansa, caso avance uma segunda fase da privatização.
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