A nova tendência dos bares e cafés: robôs que pedem gorjeta…
A tecnologia está a chegar a bares, cafés e restaurantes de uma forma inesperada, com braços robóticos a prepararem cocktails, baristas automatizados e até robôs que levam a comida à mesa. Tal como um empregado humano, muitos destes sistemas já pedem gorjeta no ecrã de pagamento.
A experiência não é nova, mas está a espalhar-se. Reportagens recentes da BBC descrevem braços robóticos a preparar bebidas, com direito a giros desnecessários e até vénias, numa tendência que está a crescer vertiginosamente.
Em todos os casos relatados, o que chama mais a atenção não costuma ser a coreografia mecânica dos robôs, mas a taxa de serviço, muitas vezes de 10%, que surge logo a seguir no ecrã de pagamento.
Este cenário reacende a discussão em torno da gorjeta, um hábito tradicionalmente associado aos Estados Unidos da América (EUA), mas que tem vindo a ganhar terreno, ano após ano, em cada vez mais negócios por toda a Europa.
Nos EUA, patrões e supervisores não podem ficar com as gorjetas dos funcionários. Isto, quando se trata de trabalhadores humanos.
Contudo, quando é uma máquina a pedir a gratificação, essa proteção legal não existe, pois ainda não foi definida.
Segundo Holona Ochs, professora associada de ciência política na Universidade de Lehigh e coautora de um livro sobre o tema das gorjetas, ainda não existe um critério legal que estabeleça a quem pertence o dinheiro deixado a um robô .
Isto cria uma espécie de vazio jurídico que pode ser aproveitado por empresas menos escrupulosas para embolsar valores que os clientes pensam estar a destinar aos funcionários.
Ainda assim, nem todas as empresas se aproveitam da lacuna. Citadas pela BBC , a Tipsy Robot e a Artly Coffee garantem que a totalidade das gorjetas é dividida entre a equipa humana, sem qualquer corte para a empresa.
Indo além disso, a segunda desligou até os pedidos automáticos de gorjeta no ecrã e optou por aumentar o salário dos trabalhadores.
Nem todos os especialistas veem esta tendência como uma tentativa de tirar partido dos clientes. Para Katerina Berezina, investigadora da Universidade do Mississippi especializada em tecnologia aplicada à hotelaria, a gorjeta pedida por robôs pode simplesmente servir para cobrir custos de manutenção ou atualização do próprio equipamento.
Assim, na sua opinião, é injusto assumir, à partida, que as empresas estão a agir de má-fé.
Por outro lado, a defesa de direitos laborais One Fair Wage vê nesta automatização mais uma forma de continuar a pagar salários baixos aos trabalhadores, considerado por muitos a verdadeira causa da falta de mão de obra no setor da restauração nos EUA.
Do ponto de vista psicológico, dar gorjeta a robôs não faz grande sentido. Segundo Michael Lynn, professor emérito da Universidade de Cornell e autor de um livro sobre o tema, as razões que normalmente levam alguém a deixar gorjeta, como recompensar um bom serviço, compensar salários baixos ou até o receio de ser mal visto, praticamente não se aplicam quando quem serve é uma máquina.
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