A procura de significado na vida: quando a angústia existencial bate à porta
Repensar o sentido da existência humana, a inevitabilidade da morte e o peso da liberdade: um olhar sobre a angústia existencial como parte incontornável da condição humana.
Existem momentos em que a vida passa em modo cruzeiro.
Entre o trabalho, as tarefas domésticas e as pequenas obrigações diárias, pode ser fácil darmos por nós presos a uma rotina automática.
E, depois, existem outros momentos – por vezes desencadeados por transições de idade, mudanças, lutos ou a perceção da própria finitude – em que um vazio se instala sem pedir licença e somos confrontados com a nossa própria existência e o sentido da mesma.
Nestes momentos, surgem, frequentemente, incertezas que nos levam à necessidade de dar um significado à nossa existência e nos fazem pensar em questões como “Qual é o meu propósito?” e “Qual o sentido da minha vida?”.
É muitas vezes esta angústia existencial – um sentimento profundo de vazio ou inquietação que surge quando nos confrontamos com o sentido da vida, a finitude e a nossa total liberdade de escolha – que traz as pessoas à psicoterapia.
Tenho um professor que diz algo deste género: “Quanto mais satisfeitos estivermos com o nosso quotidiano, menos somos atormentados pela iminência da nossa morte”.
Esta ideia remete-me a duas questões fundamentais que surgem em terapia.
A primeira, relacionada com a morte, que é uma realidade incontornável da condição humana: a certeza do fim, que nos aterroriza, mas que, paradoxalmente, dá urgência e valor a cada momento.
Se por um lado é algo que pode trazer angústia e medo, por outro lado também abre espaço para a mudança.
A segunda prende-se à ideia de que existe um objetivo megalómano para a nossa vida (como encontrar a vocação perfeita ou mudar o mundo), o que pode ser paralisante.
São muitas as vezes em que as pessoas trazem a ideia de que o sentido da vida é algo que temos de descobrir como se de uma fórmula secreta se tratasse.
No entanto, o propósito não tem de ser grandioso; pode caber perfeitamente na delicadeza de um gesto diário e na forma como nos relacionamos com o que nos rodeia.
O sentido da vida é algo que nós criamos ativamente e que se constrói nas pequenas escolhas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.