Segurança Social? Tema não pode ser adiado por "tácticas eleitorais"
O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, e o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Armindo Monteiro, foram hoje os oradores de uma conferência sobre economia na 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, uma iniciativa de formação política de jovens.
Armindo Monteiro lamentou que, tal como aconteceu na discussão sobre a reforma laboral, muitos tenham optado por atacar o estudo encomendado pelo Governo sobre Segurança Social que, na sua visão, apenas apresenta factos.
"É bom que não percamos tempo com falácias, com conquistas de votos, com fixação de clientelas eleitorais, mas sim com falar a verdade. A demografia, a matemática não enganam. Isto não é uma questão de opinião, é uma questão de ciência", avisou.
Para o presidente da CIP, esta reflexão "é possível fazer hoje, agora e já", salientando que há uns anos existiam 20 trabalhadores para pagar uma pensão e hoje são apenas dois.
"Isto é mais importante do que qualificar Portugal para o próximo campeonato de futebol. Esta é uma matéria que deveria estar na ordem do dia, todos os dias, e não ser colocada em cima da mesa ou retirada conforme as táticas e estratégias eleitorais", apelou.
O Governo já assegurou que não pretende fazer qualquer reforma estrutural sobre a Segurança Social até final da legislatura, e considerou o assunto encerrado até à próxima campanha eleitoral.
Nesta matéria, tal como na do Código Laboral, Armindo Monteiro disse não estar a apelar "a uma guerrilha entre gerações", mas defendeu "um pacto, um compromisso" que permita fazer estas reformas olhando para o interesse quer dos mais velhos quer dos mais novos.
O presidente da CIP criticou ainda os que disseram que "está tudo bem" no atual sistema de segurança social, questionando os jovens participantes na Universidade de Verão quem irá pagar as suas pensões, se se mantiver tudo como está.
"Ou temos a coragem de resolver o problema por pacto, por acordo, por compromisso, ou então são os problemas que nos vão derrubar", avisou, questionando porque é que Portugal é "o único país europeu que não tem o segundo pilar de contribuição" individual.
Na sua intervenção inicial, o presidente da CIP já tinha apelado a que os decisores políticos não se deixem governar "pelos medos e pelas hesitações dos seus eleitorados".
"Não digam que as reformas, como o Código do Trabalho, como o sistema de pensões, como tantas políticas que são absolutamente necessárias a serem implementadas, não digam que é uma questão de atropelo. Falem verdade, a mentira não pode ser um eixo de governação", apelou.
Na mesma linha, o presidente da Confederação do Turismo defendeu que "é a altura de mexer estruturalmente" no sistema de pensões.
"Está na altura de se poder fazer reformas mais estruturais, para que daqui a 40 anos, quando vocês se reformarem, a diferença do último ordenado e a reforma seja o menor possível", defendeu Calheiros, dirigindo-se aos jovens participantes da Universidade de Verão do PSD.
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