Quase metade dos profissionais já passa mais tempo a orientar a inteligência artificial do que a executar tarefas
Houve um tempo em que a grande promessa da inteligência artificial (IA) era simples: poupar-nos tempo.
Hoje, a realidade parece mais complexa.
Em vez de apenas executar tarefas, a IA exige cada vez mais supervisão, contexto e instruções.
Em muitas empresas, o trabalho deixou de ser apenas “fazer” para passar também por “ensinar” as máquinas a fazer.
É esta a principal conclusão do mais recente estudo da Boston Consulting Group (BCG), realizado junto de quase 12 mil profissionais em 14 mercados.
Os números revelam que a transformação já não está apenas na tecnologia, mas na própria definição do que significa trabalhar.
Quase metade dos profissionais (47%) admite passar atualmente mais tempo a orientar ferramentas de Inteligência Artificial do que a executar diretamente as suas tarefas.
É uma mudança subtil, mas profunda: o computador deixou de ser apenas uma ferramenta para se tornar um colega de trabalho que, curiosamente, precisa de bastante acompanhamento.
A ironia não passa despercebida.
Durante anos receou-se que a IA substituísse as pessoas.
Afinal, em muitos casos, as pessoas acabaram promovidas… a gestoras da IA.
Mais satisfeitos, mas também mais cansados O estudo identifica um fenómeno curioso, que os investigadores apelidam de “paradoxo da satisfação”.
Dois terços (67%) dos utilizadores regulares afirmam sentir-se mais satisfeitos com o trabalho desde que começaram a usar IA.
Mas há uma segunda face da moeda: 41% dizem que a carga cognitiva aumentou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.