Reservas muito baixas de gás antecipam inverno difícil na Europa. "O problema é o curto prazo e aí a situação poderá ser séria"
O alerta, há menos de um mês, veio do maior fornecedor de gás natural da Europa. A 22 de julho, o CEO da Equinor, Anders Opedal, disse à Reuters que o continente poderá não conseguir encher os seus reservatórios de gás até 80% da capacidade antes da chegada do inverno – com os volumes de gás armazenado significativamente abaixo da média de cinco anos e no segundo valor mais baixo dos últimos 15 anos.
Com a guerra no Irão ainda sem fim à vista e o Estreito de Ormuz fechado, a Comissão Europeia flexibilizou as regras relativas ao armazenamento de gás, permitindo que os Estados-membros atinjam pelo menos 80% da capacidade até ao início de novembro, em condições de mercado difíceis, dez pontos percentuais abaixo do anterior limite mínimo de 90%. Mas, neste momento, tudo indica que o grosso dos países não vai chegar nem perto desses 80%.
À CNN, o economista Ricardo Marques, da consultora Informações de Mercados Financeiros (IMF), confirma que as reservas de gás natural “estão muito abaixo” de anos anteriores, com uma média europeia de 59,3% e situações críticas como a da Alemanha, o maior consumidor do continente, com as reservas a 47%, e da Bélgica, a 41%. “E o problema não é só esse – é que a dificuldade de chegar aos tais 80 a 90% é muito maior do que no ano passado, porque temos o Catar, responsável por cerca de 20% da produção mundial de gás natural liquefeito (GNL), basicamente parado”, adianta o especialista em energia e matérias primas.
“É verdade que a Europa tem menos gás armazenado do que o habitual nesta altura do ano [mas] também é verdade que a Europa está a consumir menos cerca de 20% de gás do que há apenas alguns anos, graças principalmente às energias renováveis, pelo que não precisa de tanto gás armazenado como antes”, sublinha Chris Aylett, investigador do Centro de Ambiente e Sociedade da Chatham House.
Ainda assim, Aylett assume que, “se este inverno for suficientemente frio e os tanques de armazenamento permanecerem relativamente pouco cheios, a Europa poderá ser obrigada a pagar um prémio de emergência para atrair cargas de GNL – um custo que acabará por ser suportado pelos contribuintes, através de subsídios, e pelos consumidores de energia, através das faturas”.
Vários fatores explicam a situação crítica das reservas de gás natural na Europa, quando falta cerca de um mês para a chegada do outono. Em primeiro lugar há a geopolítica mundial, em particular a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão no final de fevereiro, que não só afetou as capacidades de produção, armazenamento e escoamento de gás do Catar, como tem mantido o Estreito de Ormuz fechado há quase meio ano.
“O gás do Golfo, sob a forma de GNL, foi muito mais afetado do que o petróleo por esta crise, e é provável que os danos se prolonguem por mais tempo, porque, ao contrário do petróleo, a maior parte do GNL do Golfo não tem outra via de comercialização senão através do Estreito”, explica Chris Aylett.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.