O desporto é tão importante como a escola para as crianças?
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Boa tarde, bem-vindos a mais uma edição do "Porque Sim Não é Resposta" com o psicólogo Eduardo Sá. Eu sou o Bruno Vieira Amaral, hoje não está a Judite França. Eduardo, muito boa tarde. Hoje temos como tema o desporto para crianças. Devemos ou não insistir com as crianças para praticarem um desporto? Nós sabemos que agora estamos em época de regresso às aulas, também é época de retomar algumas atividades desportivas, para alguns será iniciar esse capítulo. Devemos insistir com as crianças para a prática desportiva?
Bom estar aqui. Bruno, sim, inevitavelmente. Eu acho que o desporto é tão importante como a escola. Acho, de facto, que nós não podemos criar esta clivagem que tantos de nós acabamos por fazer entre os brinquedos didáticos e os outros brinquedos, entre as atividades escolares e as outras atividades, como se, no fundo, elas não tivessem sempre uma função, e uma função indispensável, no desenvolvimento das crianças. Portanto, nessas circunstâncias, uma atividade desportiva é absolutamente fundamental. Eu acho que é tão importante como a escola, porque esta ideia de que nós crescemos à margem do corpo, às vezes crescemos contra o corpo, como em muitas circunstâncias e até, infelizmente, nalgumas escolas, se dá a entender, não pode ser, não tem sentido absolutamente nenhum. E, portanto, uma atividade desportiva, por favor, sem dúvida.
Queria lhe perguntar, Eduardo, quais são os benefícios que identifica na prática desportiva, para além do óbvio, claro, desenvolvimento de capacidades motoras, mas indo mais além disso.
Muito mais para além disso, Bruno, porque já isso é uma questão muito importante. Eu não me canso de chamar a atenção para o modo como me escandaliza, acho que a palavra correta é escandalizar, aquilo que observo em muitos jogos de futebol com miúdos de 10, 11 e 12 anos, que quando estão a jogar e as chuteiras ficam com os atacadores soltos, vai correr um treinador atar-lhes os atacadores, porque grande parte deles não é capaz de fazer isso. A motricidade e a motricidade fina são indispensáveis para tudo, para desenhar, para escrever, para representar, para pensar. Quanto mais corpo, quanto melhor corpo, melhor pensamento. E aquela ideia, que eu acho que todos nós fomos observando à medida que fomos crescendo, de haver aqueles nossos colegas que tiravam cinco a tudo.
Exatamente. Quer dizer, não, acho que isso é pior, Bruno, porque há escolas que votam a classificação de educação física, de maneira que aqueles alunos que não têm as capacidades mínimas indispensáveis, tenham uma boa nota para não destoar do resto das médias, o que é uma coisa que eu acho incrível, porque termos necessidades educativas especiais é a coisa mais democrática do mundo e é aquilo que no fundo a escola mais precisa de perceber em relação a cada criança.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.