Autarquia recua: afinal, Jardim do Morro não será vedado
Três dias depois de ter avançado a decisão ao Jornal de Notícias , o vice-Presidente da Câmara Municipal de Gaia recuou e, afinal, a autarquia não vai vedar o icónico Jardim do Morro . “Como foi uma ideia minha e como percebi que a polémica se instalou — e como eu não pretendo estar na política com polémica e com a agressividade da nossa sociedade — a ideia não vai avançar ”, revelou Firmino Pereira ao Observador, esta quinta-feira.
Quando falou da sua ideia ao JN, o braço direito do Presidente da autarquia até explicou os timings. O concurso de 700 mil euros seria lançado até outubro, as obras arrancariam em fevereiro e em maio de 2027 (quando se comemora o centenário da inauguração do jardim) já estaria remodelado: com vedação, duas entradas controladas, horário de funcionamento e mais polícias.
Mas toda a estrutura do projeto seria, segundo alegou o vice-Presidente, apenas do conhecimento do próprio . Antes de comunicar a intenção ao restante executivo, a ideia foi tornada pública e gerou alguma polémica, com o PS de Gaia a exigir um debate público sobre uma “decisão tão significativa” . O vice-Presidente, vereador com o pelouro dos Equipamentos Públicos e Espaço Público, registou as críticas e apesar de reconhecer ter apoio dos moradores, voltou atrás. O desgaste terá contribuído para outra decisão irreversível: “Este será o meu último mandato enquanto membro de um executivo municipal em Gaia”.
Com o discurso preparado, Firmino Pereira esclareceu a polémica que se levantou nos últimos dias em Gaia sobre a reformulação do Jardim do Morro. “Eu conheço muito bem alguns moradores da zona e aquilo que eles me dizem é que sentem um ambiente de intranquilidade . E daí, feita uma análise crítica à situação em termos pessoais, eu lancei a ideia”.
Assim que tomou posse — poucos meses após a vitória da coligação PSD, CDS e IL e fruto da saída de Álvaro Santos para a presidência da CCDR-Norte —, o promovido a vice-Presidente passou a acompanhar de perto as queixas dos moradores sobre o estado do jardim. “A primeira coisa que eu reparei é que nem sequer iluminação pública tinha”.
Solucionado esse problema, continuaram os relatos de insegurança no local. Procurado por muitos, o jardim enche-se, sobretudo no verão, durante o pôr do sol, onde gaienses e turistas têm vista privilegiada para a luz do crepúsculo que ilumina as fachadas dos edifícios da ribeira e o próprio rio Douro. Com fama angariada nas redes sociais, o espaço ganhou cada vez mais adeptos que permanecem na relva largas horas — à noite, os moradores dizem que são comuns desacatos e consumo de droga.
“Desde março, a Polícia Municipal e a PSP [conseguiram] minorar alguns dos impactos negativos” das afluências de pessoas, garante Firmino Pereira. “São milhares de turistas que vêm ao Jardim do Morro . Na sua esmagadora [maioria] são pessoas pacíficas, gente que só pretende desfrutar da beleza natural e do enquadramento privilegiado daquele espaço”. Para permitir uma convivência harmoniosa no jardim, decidiu avançar com a ideia de uma reformulação.
“Foi uma ideia que concetualizei após a observação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.