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Segunda Guerra Mundial: a batalha da propaganda em Portugal

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Segunda Guerra Mundial: a batalha da propaganda em Portugal

De um lado, um Winston Churchill caricatural, de semblante derrotado, senta-se sobre a campa do Império Britânico enquanto é banhado por um sol marcado por uma suástica. Do outro, um boneco do icónico governente inglês encara-nos com um olhar confiante com esse mesmo símbolo nazi tatuado nos genitais, metáfora satírica do recuo alemão face ao avanço inglês. Estes são dois exemplos contrastantes com o mesmo fim — produzir propaganda durante a Segunda Guerra Mundial — mas têm algo muito específico que os reveste de especial interesse: foram concebidos para influenciar o povo português.

Portugal foi dos poucos estados a manter a neutralidade quando quase todo o mundo se precipitou para o maior conflito da história da humanidade, mas isso não quer dizer que o país não tenha sido um campo de batalha da semântica e da retórica pela conquista da opinião pública. Com abertura ao público esta terça-feira, 22 de setembro, no Parque Empresarial do Barreiro, a exposição A Outra Guerra, Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial , organizada pelo Arquivo Ephemera, espelha esse esforço em quase 600 peças originais.

Na azáfama dos últimos preparativos, José Pacheco Pereira explica numa visita guiada ao Observador que, no arquivo que gere, um dos maiores de natureza privada do país, reside uma “grande coleção de material da Segunda Guerra Mundial”. Desse manancial de fontes documentais foi escolhida “uma pequeníssima parte” para esta exposição com “um aspeto em comum: salvo uma ou outra exceção, está em português e foi feito para Portugal”.

“A primeira coisa que me surpreendeu foi a importância que Portugal tinha na propaganda, quer dos Aliados quer das potências do Eixo”, afirma o fundador da Associação Cultural Ephemera. Esse foco na “conquista das almas” portuguesas — como o também historiador descreve no texto introdutório desta mostra — está bem patente nos materiais que é possível ver espalhados por várias mesas.

Em alguns núcleos, o foco de postais, panfletos, livros e cartazes está em destacar o desenvolvimento económico e social dos respetivos lados; noutros, o intuito é de valorizar as mais recentes conquistas, especialmente por meio de revistas militares de grafismo triunfal. Uma das mesas é dominada por loas panegíricas aos “Senhores da Guerra”: Roosevelt, Churchill, Hitler — todos menos Estaline, por razões que mais à frente ficarão bem claras. Noutra podemos atentar em como alguns dos principais discursos destes líderes foram transcritos, traduzidos e comercializados em Portugal.

“Quando começamos a ver a importância desta coleção, começámos a perceber padrões e achámos que a exposição podia revelar esses padrões e, portanto, acrescentar alguma coisa ao conhecimento histórico desta época”, afirma Pacheco Pereira. Dessa forma, fica claro que o foco inglês está em destacar “a ideia de estabilidade política associada à família real, que aparece, aliás, fardada e associada às iniciativas de guerra”. Já os americanos distinguem-se ao fazer sobretudo “o elogio da sua própria democracia” contra o totalitarismo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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