Dois capacetes azuis da ONU morrem em emboscada no Sudão do Sul
Dois capacetes azuis da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) foram mortos nesta segunda-feira (24) em uma emboscada armada por "indivíduos não identificados" contra uma patrulha no estado de Jonglei, na região central do país. A missão das Nações Unidas não informou a nacionalidade das vítimas.
Há vários meses, os combates voltaram a se intensificar no Sudão do Sul entre as forças governamentais leais ao presidente Salva Kiir e milícias de oposição fiéis ao seu rival Riek Machar, ex-vice-presidente atualmente em prisão domiciliar. A violência é particularmente intensa em Jonglei.
Em comunicado, a UNMISS condenou "veementemente a emboscada". Além dos dois soldados mortos, várias pessoas ficaram feridas, incluindo três capacetes azuis, dois membros da polícia do Sudão do Sul e dois funcionários civis.
"Essa violência mortal contra o pessoal da UNMISS, que trabalha para promover a paz no Sudão do Sul, é inaceitável", afirmou Anita Kiki Gbeho, chefe da missão.
A UNMISS acrescentou que mobilizou uma força de reação rápida para proteger a área e apoiar as operações de emergência. A missão solicitou uma investigação rápida e lembrou que ataques contra capacetes azuis da ONU podem constituir crimes de guerra segundo o direito internacional.
Segundo a ONU, 36 trabalhadores do setor humanitário também foram mortos no Sudão do Sul desde o início de 2026.
A UNMISS conta com cerca de 12.200 integrantes, incluindo aproximadamente 9 mil militares e 1.200 policiais, de 74 países. Índia, Ruanda, Nepal, Bangladesh, Etiópia e China estão entre os principais países que fornecem tropas para a missão. O Brasil participa, mas mantém um contingente muito reduzido e estritamente estratégico na UNMISS.
De acordo com os últimos números disponíveis da ONU, mais de 160 integrantes morreram desde a criação da missão, em 8 de julho de 2011, na véspera da independência do Sudão do Sul, quando o país se separou do Sudão após décadas de conflito entre rebeldes do sul e o governo de Cartum.
O país mais jovem do mundo mergulhou rapidamente em uma guerra civil em 2013, motivada pela disputa de poder entre Salva Kiir e Riek Machar, antigos aliados na luta pela independência.
Em 2018, um acordo encerrou a guerra, que deixou mais de 400 mil mortos. No entanto, os confrontos voltaram a ocorrer em diversas partes do país após a prisão de Machar em 2025.
O Sudão do Sul ocupa a última posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas e também é considerado um dos países mais corruptos do mundo segundo a organização Transparency International.
O país realizará em 22 de dezembro suas primeiras eleições nacionais, diversas vezes prometidas e sucessivamente adiadas.
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