São Paulo: Comissão de Ética recomenda expulsão de Julio Casares
A Comissão de Ética do São Paulo FC recomendou a eliminação de Julio Casares do quadro associativo do clube. O voto final, unanimidade entre os cinco integrantes da comissão, considerou procedente a representação contra o ex-presidente e apontou a prática de condutas caracterizadas, para fins disciplinares, como "gestão irregular ou temerária".
O documento é resultado de um procedimento disciplinar instaurado em razão de fatos ocorridos durante o período em que Casares comandou o São Paulo. Segundo o relatório, foram analisadas possíveis irregularidades administrativas, financeiras e institucionais, com potencial prejuízo ao patrimônio material e imaterial do clube.
A comissão também rejeitou a tentativa de Casares de encerrar o procedimento após seu pedido de desligamento do quadro associativo. De acordo com o relatório, o ex-presidente formalizou o pedido em 29 de julho, na véspera da audiência de instrução. O Estatuto Social do São Paulo, porém, estabelece que um pedido de demissão não pode ser aceito enquanto o associado estiver submetido a procedimento administrativo disciplinar.
Luiz Braga, relator do caso, também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa apresentada por Casares. O relatório afirma que o ex-presidente teve acesso aos autos, foi representado por advogados, apresentou petições e requerimentos e recebeu extensa documentação relacionada ao caso.
A defesa havia solicitado documentos referentes a um período de até 20 anos, incluindo escriturações contábeis desde 2005, demonstrações de resultado, protocolos relacionados a ingressos, camarotes, shows e jogos, além de informações de administrações anteriores. Para a comissão, parte desses pedidos extrapolava o objeto da representação.
Casares também foi intimado para uma audiência de instrução marcada para 30 de julho, mas não compareceu. Segundo o relatório, aproximadamente 20 minutos antes do horário marcado, foi protocolado um pedido para encerramento do procedimento com base no desligamento do quadro associativo. A comissão ressaltou que a ausência não foi considerada uma confissão e que a decisão foi tomada com base nas provas reunidas nos autos.
Entre os principais pontos analisados pela Comissão de Ética estão movimentações financeiras consideradas insuficientemente documentadas. O relatório cita a reprovação das contas referentes ao exercício de 2025 e afirma que foram identificados aproximadamente R$ 7 milhões em saques cuja origem, finalidade e destinação não puderam ser adequadamente comprovadas.
Segundo o documento, uma auditoria independente também teria apontado dificuldades para rastrear parte relevante das movimentações financeiras analisadas. A comissão faz uma ressalva: a ausência de documentação não significa, automaticamente, que os valores tenham sido apropriados para fins particulares. Para o órgão, porém, a falta de rastreabilidade de recursos de grande valor configura falha relevante de governança, controle e prestação de contas.
Outro ponto central do relatório envolve o uso do cartão corporativo da presidência do São Paulo no período de gestão de Júlio Casares.
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