Warsh enfrenta desafio de determinar se inflação corrente é ou não um problema
JACKSON HOLE, EUA, 27 Ago (Reuters) – Os preços dos automóveis nos EUA subiram a um ritmo anualizado de cerca de 5% em julho, os custos com moradia e serviços públicos aumentaram a uma taxa superior a 3,5%, e os preços dos bens de lazer dispararam a um ritmo de dois dígitos, com as famílias tendo que arcar com um aumento de 3,7% no custo de vida — quase o dobro do que o Federal Reserve havia prometido.
O banco central dos EUA já vem falhando em atingir sua meta de inflação há 65 meses consecutivos, desde o momento em que os preços começaram a subir para o maior nível em 40 anos em 2021, durante a pandemia da Covid-19, passando por uma quase volta à meta em 2024 e chegando a um novo aumento nos preços após o presidente Donald Trump assumir o cargo pela segunda vez.
Houve pouco progresso no último ano e meio.
Leia também EUA avaliam nova rodada de tarifas sobre semicondutores, diz reportagem Nova proposta tarifária poderia incidir sobre uma gama mais ampla de produtos tecnológicos Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caem na última semana Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 4.000 Em um discurso muito aguardado na sexta-feira no simpósio anual de pesquisa do Fed de Kansas City, em Jackson Hole, Wyoming, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, está sob pressão para abordar uma questão central: a inflação atual é um problema ou não, e o que deve ser feito a respeito? Analistas e investidores veem o evento como um primeiro teste de sua disposição em se adaptar a um mundo cada vez mais apreensivo em relação aos seus planos.
Após um período inicial em que Warsh repetiu promessas de cumprir a meta de inflação do Fed sem explicar como — ao mesmo tempo em que destacava questões de longo prazo atualmente em estudo por várias forças-tarefa do Fed —, há um clamor por uma mudança de foco.
O discurso tem sido tão genérico que “as pessoas estão preocupadas com a independência” e se Warsh está relutante em discutir possíveis aumentos nas taxas de juros para evitar irritar Trump ou atrapalhar os esforços do secretário do Tesouro, Scott Bessent, para, de alguma forma, orquestrar custos de empréstimos mais baixos, disse Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon.
“É preciso ter muito mais cuidado na comunicação para não dar a entender que há potencial para maior coordenação e colaboração, possivelmente, com o Tesouro; que não se está sendo influenciado pelo presidente para reduzir as taxas… Tudo isso passa uma má impressão para qualquer novo presidente do Fed”, disse Daco.
TESTE DE CREDIBILIDADE Como em todos os discursos de grande visibilidade proferidos pelo chefe do banco central dos EUA, Warsh precisa andar na corda bamba.
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