Em crise, Braskem eleva limite de crédito com acionista Petrobras
Após a Braskem anunciar pedido de recuperação extrajudicial , a Petrobras, que tem 47% das ações da petroquímica, acertou aumentar o limite de crédito entre as duas empresas, de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões, para aquisição de matérias primas fornecidas.
Petrobras amplia limite de crédito para Braskem. A petroleira elevou o teto da linha de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões para aquisição de matérias primas fornecidas pela petroleira à petroquímica.
Contrato envolve o pagamento das matérias primas no prazo de 30 dias. O acordo tem vigência até o final de 2026, com manutenção dos efeitos até o vencimento das faturas emitidas durante a vigência do contrato.
Entre as garantias estará uma cessão fiduciária de direitos creditórios de clientes da Braskem no montante aproximado de R$ 1 bilhão por mês. Este valor deverá ser pago numa conta vinculada com retenção mínima de R$ 300 milhões, sendo que após a retenção atingir tal montante e caso a Braskem estiver adimplente, todos os valores pagos nesta conta serão transferidos para a Braskem.
Documento emitido pelas duas empresas prevê ainda que o limite de crédito somente se tornará efetivo após a constituição das contas vinculadas e a existência de saldo mínimo de R$ 150 milhões. Está ainda previsto a suspensão do limite, a exclusivo critério da Petrobras, em caso de descumprimento do fluxo mínimo mensal de recebíveis direcionados à conta vinculada.
Braskem faz pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. A companhia petroquímica protocolou o processo nas primeiras horas desta segunda-feira. Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem inicia uma nova etapa para mudar as condições de pagamentos em termos de prazos e valores.
Pedido de recuperação extrajudicial tem objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, diz a empresa. Segundo fato relevante, a Braskem diz que o ambiente protegido é "adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias no montante aproximado de US$ 10,9 bilhões".
Sem dinheiro da Petrobras, plano de recuperação da Braskem pode fracassar. O pedido de recuperação extrajudicial deu à Braskem 90 dias de sobrevida, mas não resolveu o problema que a levou até ali. Para sair da crise, a empresa precisa vencer os mesmos obstáculos que travaram a negociação nos últimos meses: convencer os credores a aceitarem o que eles já rejeitaram e persuadir os acionistas Petrobras e IG4 Capital a tirarem dinheiro do bolso .
Petrobras e IG4 tratam um aporte apenas como última opção. A emissão de novas ações tende a ser o caminho, diz Júlio Moretti, CEO da NEOT, especializada em gestão de recuperações judiciais e falências. Já Cláudio Santos, sócio da consultoria Galeazzi, lembra que o patrimônio líquido negativo em R$ 13 bilhões da Braskem torna uma emissão de ações pouco atrativa. "Dinheiro do acionista é o que eles vêm pedindo desde o começo, e é o que muda o tom da conversa, porque enquanto o acionista não coloca nada, qualquer proposta é lida como transferência de valor em mão única", afirma.
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