Violência contra trabalhadores humanitários bate novo recorde, alerta ONU
O número de trabalhadores humanitários mortos em 2025 chegou a 350 em todo o mundo, informou nesta terça-feira (18) o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês). Entre as vítimas, 186 pessoas morreram em Gaza e 71 no Sudão. A organização também denuncia o impacto crescente de drones armados em zonas de conflito.
Segundo a agência da ONU, 2025 registrou um novo recorde de violência contra profissionais envolvidos em operações de assistência . Ao todo, 907 trabalhadores humanitários foram mortos, feridos ou sequestrados ao longo do ano.
Embora o total de mortos seja ligeiramente inferior ao registrado em 2024, quando 377 profissionais perderam a vida, a ONU afirma que a tendência continua alarmante. Dados da organização mostram que, desde o início de 2026, outras 82 pessoas foram mortas, 97 ficaram feridas e 39 foram sequestradas em diferentes regiões do mundo.
"Mais de 1.000 trabalhadores humanitários morreram em apenas três anos. Isso é totalmente inaceitável", declarou o coordenador humanitário da ONU, Tom Fletcher.
Em comunicado, o OCHA alertou que a simples condenação dos ataques não tem sido suficiente para proteger os profissionais que atuam em áreas de crise.
"Os Estados devem respeitar o direito internacional humanitário e usar todos os meios à sua disposição para proteger civis e nossos colegas. E aqueles que violarem as regras devem enfrentar as consequências", afirmou Fletcher.
A ONU também manifestou preocupação com a crescente utilização de drones armados em conflitos . Segundo o OCHA, a disseminação de equipamentos de baixo custo e fácil adaptação amplia o acesso de diferentes grupos a um poder de destruição cada vez maior.
No Sudão, os drones armados foram responsáveis por 80% das mortes de civis registradas nos quatro primeiros meses de 2026, atingindo principalmente mercados e instalações de saúde, de acordo com a organização.
Para Tom Fletcher, esses equipamentos representam uma nova ameaça para a população civil.
"Os drones militares se tornaram a nova face de um velho perigo: o dano deliberado ou imprudente à vida de civis", afirmou.
Apesar da rápida evolução tecnológica nos campos de batalha, o chefe humanitário da ONU lembrou que as normas internacionais permanecem as mesmas. "A tecnologia pode evoluir, mas as leis da guerra não", concluiu.
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