Ex-servidor francês é acusado de drogar quase 250 mulheres em entrevistas
Quase 250 mulheres acreditam ter sido drogadas pelo ex-funcionário público francês Christian Nègre durante entrevistas de emprego entre 2009 e 2018. Ele é investigado formalmente por acusações que incluem administração de drogas, invasão de privacidade e agressão sexual.
Mulheres afirmam que recebiam bebidas preparadas por Nègre e depois sentiam necessidade incontrolável de urinar. A polícia acredita que ele utilizava diuréticos, medicamentos que aumentam a produção de urina, segundo reportagem da BBC Global Women.
Investigadores encontraram uma planilha chamada "Experimentos P". O arquivo atribuía a Nègre registros de supostas vítimas, com horário das entrevistas, momento em que o diurético teria sido administrado, tempo até a mulher urinar e até informações sobre as roupas íntimas usadas por elas.
Anaïs de Vos diz ter sido uma das vítimas em 2011. Ela tinha 27 anos quando participou de uma entrevista para trabalhar no Ministério da Cultura, em Paris. Nègre lhe ofereceu um café preparado por ele e, durante uma caminhada posteriormente sugerida pelo servidor, ela passou mal e teve vontade incontrolável de urinar.
"Eu estava muito fraca, já não conseguia sentir direito as minhas pernas. Senti medo. Não sabia o que estava acontecendo", relatou Anaïs. Ela acabou urinando na própria roupa antes de conseguir chegar a um banheiro. O caso ainda não tem data para julgamento.
O caso começou a ser investigado em junho de 2018. Segundo o Ministério Público francês, um colega flagrou Nègre fotografando uma mulher por baixo de uma mesa.
Nègre chegou a admitir ter colocado mulheres em "situações humilhantes". A declaração teria sido dada aos investigadores ainda em 2018, de acordo com os promotores.
Ele foi inicialmente suspenso e acabou demitido do Ministério da Cultura em 2019. Na época do início da investigação, ocupava o cargo de diretor regional de assuntos culturais.
Denunciantes reclamam da demora do processo. Já se passaram 15 anos desde o encontro de Anaïs com Nègre e sete desde que ela falou com a polícia. A Fondation des Femmes, que apoia cerca de 30 mulheres no caso, afirma que ele continuou trabalhando na área de recursos humanos durante esse período.
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