O futuro dos jovens depende do fim da escala 6×1
Para quem trabalha seis dias por semana, passa horas no transporte público, quer concluir os estudos e ter uma vida que não seja apenas trabalhar, o debate sobre a escala 6×1 é urgente.
Falar sobre a redução da jornada é discutir quais condições estamos oferecendo para que os jovens possam trabalhar, estudar, cuidar da saúde, conviver com a família e os amigos e construir o próprio futuro.
Para milhões de jovens, a entrada no mercado de trabalho acontece em setores marcados por jornadas extensas e pelo trabalho aos fins de semana.
O primeiro emprego deveria representar o início de uma trajetória de autonomia.
Muitas vezes, porém, vem acompanhado de uma rotina que torna quase impossível conciliar trabalho e estudo.
Os dados mostram o tamanho desse desafio.
Entre os jovens de 14 a 29 anos que não haviam concluído o ensino médio em 2024, 42% apontaram a necessidade de trabalhar como principal motivo para terem abandonado a escola ou nunca frequentado essa etapa, segundo o IBGE.
O DIEESE também mostra como a duração da jornada pesa nessa relação.
Entre empregados formais do setor privado de 18 a 24 anos que trabalhavam exatamente 40 horas semanais, 28% conciliavam trabalho e estudo.
Entre aqueles com jornadas de 41 a 44 horas, a proporção caía para 20%.
Não estamos falando apenas de uma folga a mais.
Estamos falando de tempo para estudar, cuidar da saúde, produzir cultura, praticar esporte e participar da vida pública.
Para quem mora longe do trabalho, passa horas no transporte público, divide os cuidados da casa e ajuda no sustento da família, um único dia de descanso muitas vezes é consumido pelas tarefas acumuladas durante a semana.
O Estatuto da Juventude reconhece o direito à profissionalização, ao trabalho e à renda e prevê a compatibilização entre os horários de trabalho e de estudo.
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