Livro-bomba: Ex-chefe da FAB admite pressão de Bolsonaro por golpe
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos Baptista Júnior, lançará, em setembro, o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”.
O militar detalha como Jair Bolsonaro (PL) pressionou os comandantes militares a alterar o resultado das eleições de 2022 e como o Brasil esteve à beira de uma ruptura institucional.
Em entrevista à Folha de S.
Paulo, o brigadeiro, que foi poupado de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu ter temido uma “ruptura entre tropas” e revelou, ao mesmo tempo, a contradição de ter votado em Bolsonaro, tanto em 2018 quanto em 2022, quando os planos do ex-presidente de permanecer no poder à força já não eram segredo.
Baptista Júnior descreve nos bastidores do livro , a ser lançado pela Editora Autêntica, reuniões nas quais Bolsonaro apresentou aos comandantes das Forças Armadas alternativas para impedir a posse de Lula (PT) e permanecer no Palácio do Planalto.
De acordo com o próprio relato do ex-comandante, a situação chegou a um ponto de tensão aguda, com a possibilidade concreta de que integrantes do Exército agissem por conta própria.
“As Forças Armadas são muito grandes.
Eu não sabia qual era a posição do almirantado.
Eu sabia a posição do almirante Garnier, a posição do Alto Comando da Aeronáutica, mas as pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares.
Eu temia por uma ruptura entre tropas”, declarou o brigadeiro.
A resistência de Baptista Júnior e do então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, teria sido decisiva para impedir que a proposta golpista avançasse dentro das Forças Armadas, segundo o próprio relato do ex-comandante da FAB.
Contradições e voto em Bolsonaro O relato de Baptista Júnior, porém, não se sustenta sem tensão interna.
Apesar de descrever com detalhes o risco de ruptura e as pressões do então presidente, o brigadeiro declarou ter votado em Bolsonaro nas eleições de 2022, quando os planos de utilizar as Forças Armadas para permanecer no poder já eram amplamente conhecidos, inclusive pela referência pública do próprio Bolsonaro ao que chamava de “meu Exército”.
“Eu não tinha a certeza de que se ele fosse eleito, iria subverter ou se tornar um ditador”, alegou o ex-chefe da FAB.
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