Proliferação de satélites põe em risco observações astronômicas, mostra estudo
Rastros de satélites cruzam o céu sobre o deserto do Atacama, no Chile, durante registro de uma hora.
Ao fundo, aparecem o ELT, em construção, e os lasers do VLT.
F.
Kamphues/ESO/M.
Kornmesser À medida que milhares de novos satélites entram em órbita, os astrônomos podem enfrentar dificuldades crescentes para observar o cosmos, de acordo com um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), que opera telescópios no norte do Chile.
O estudo do ESO constatou que as propostas atuais para lançar mais de 1,7 milhão de satélites em órbita, incluindo alguns muito brilhantes, prejudicariam substancialmente as falas astronômicas.
Atualmente, há cerca de 15 mil satélites em órbita.
Rastros brilhantes de luz deixados pelos satélites podem interferir no funcionamento dos observatórios e na qualidade das fotografias do céu noturno.
“Cada um desses satélites, ao cruzar o campo de visão de um telescópio, deixa uma linha brilhante”, disse o astrônomo do ESO Olivier Hainaut, autor do estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.
Um único rastro de luz pode ser um incômodo menor, mas quando o número se multiplica, podem surgir problemas graves.
Cada rastro obscurece uma pequena parte da visão do espaço pelo telescópio, disse Hainaut.
A indústria global de satélites cresceu dramaticamente desde 2019, impulsionada por serviços de internet como o Starlink, da SpaceX de Elon Musk, e o Leo, da Amazon.
As conclusões do estudo basearam-se em simulações realizadas no Observatório de Paranal, no Deserto de Atacama, no Chile.
Um modelo examinou uma constelação de até um milhão de satélites, com milhares de objetos iluminados visíveis acima do Very Large Telescope (VLT) do ESO no Atacama logo após o pôr do Sol.
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