Michel Melamed cria comédia musical debochada sobre a criatividade
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A sinopse, o programa da peça e talvez esta reportagem não sejam suficientes para explicar "O Funcionário que Pede para Não Ser Identificado" , espetáculo escrito e dirigido por Michel Melamed, em cartaz no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação.
A comédia musical à capela aborda o fim da criatividade em um fictício setor de registro e produção de obras artísticas, um espaço burocrático onde os projetos precisam ser aprovados com uma funcionária frustrada e pronta para distribuir respostas negativas às ideias alheias.
É uma crítica aos sistemas que regulamentam a existência da arte , como os governos, o mercado, os algoritmos, as métricas das redes sociais e a ameaça sedutora da inteligência artificial, em meio a muitas negociações e ao desespero pela sobrevivência.
Mas não só isso. O espetáculo debocha dos próprios artistas com seus clichês e ares de genialidade, enquanto disputam recursos de patrocínios, editais e a aprovação geral. Sobra também para o público, que nem sempre sabe o que quer e, às vezes, é capaz de estragar uma apresentação.
"A peça não poupa ninguém", diz Melamed, apesar da defesa da imaginação contra as forças que a sufocam. "A vida exige reinvenção, e a arte pode ser o espaço onde outras formas de existência são imaginadas, experimentadas e compartilhadas. Artistas expandem o repertório do impossível".
"O Funcionário que Pede para Não Ser Identificado" fez temporada no Rio de Janeiro antes de estrear em São Paulo e nasceu como ideia para uma série que não foi produzida. O espetáculo foi pensado inicialmente para um elenco com dois homens e duas mulheres, mas depois a produção optou por seguir com quatro atrizes-cantoras em cena —Inez Viana, Simone Mazzer, Thalma de Freitas e Yasmin Gomlevsky.
"Tem que ser mulheres", diz o autor, também compositor da trilha. "Por eu querer trabalhar com mulheres, porque o espaço das mulheres na sociedade é um tema importante e urgente a ser tratado, e porque a peça começa com quatro personagens que eu sempre brinquei de chamar de moiras."
A referência é às irmãs da mitologia grega que tecem o destino de deuses e mortais. E o nome da peça vem do jargão jornalístico para fontes que falam "em off" .
"Achei que havia uma graça toda própria em chamar uma peça de ‘O Funcionário que Pede para Não Ser Identificado’ e não existe o funcionário. Existem quatro funcionárias", diz Melamed.
As quatro se revezam nas interpretações da burocrata que rejeita os projetos; da que está sempre pronta para considerar tudo absolutamente incrível e das artistas que defendem as suas ideias para conseguir o registro no departamento.
Em um momento aplaudido em cena aberta pelo público, elas fazem alusão às próprias carreiras artísticas —Thalma de Freitas canta um fragmento de "Cordeiro de Nanã", Yasmin Gomlevsky recorre ao dramático Édipo e Inez Viana faz um número de humor sobre a relação de uma atriz com a mãe interesseira .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.