Com Lázaro Ramos, 'Feito Pipa' leva cinema às lágrimas no Festival de Gramado
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Em uma noite fria de 13 graus, foi o filme "Feito Pipa" que esquentou os corações do público na sala lotada do Palácio dos Festivais, em Gramado , neste sábado (15).
O longa do cearense Allan Deberton , que compete a melhor filme no Festival de Gramado , já desembarcou no sul do país, seguido de um bom presságio. Foi elogiado pela crítica na sua estreia no Festival de Berlim, em fevereiro, em que conquistou o Urso de Cristal —prêmio concedido pelo público jovem— e o grande prêmio do júri da mostra paralela Generation Kplus.
"Feito Pipa" acompanha o cotidiano de Gugu, interpretado pelo promissor Yuri Gomes, um garoto que vive em uma pequena cidade do Ceará com a avó, vivida por uma Teca Pereira potente em cena.
Gugu gosta de se maquiar, dançar, pintar as unhas e jogar futebol. Os gostos associados ao mundo feminino são motivo de repressão por parte do pai do menino, Batista, encarnado por Lázaro Ramos , que vive com outra mulher e filha.
Pelas fotos espalhadas na casa de Gugu, entende-se que sua mãe morreu por algum motivo ainda desconhecido. A vida de liberdade e acolhimento do menino muda quando a avó começa a adoecer.
É uma narrativa notável em sua simplicidade, que dispensa clichês comuns a enredos de protagonismo infantil. Deberton também driblou caminhos fáceis para desenvolver o drama de uma infância queer no interior do Brasil, sem usar recursos apelativos trágicos ou diálogos expositivos.
"Feito Pipa" foi uma exibição contrastante com a de "Antártida", filme que abriu o festival na sexta-feira (14). Com elenco estelar que inclui Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa e o próprio Lázaro Ramos, a superprodução dos estúdios da Globo é um thriller recheado de efeitos especiais para emular o continente gelado.
"Antigamente, você ia em uma videolocadora e estava escrito: ‘ cinema brasileiro’, como se fosse um gênero só", diz Ramos, que estrela os dois filmes e eternizou, no sábado, suas mãos na tradicional calçada da fama de Gramado. "Estar aqui com um thriller psicológico, uma produção gigante, e com um filme de autor, coloca luz no que o Brasil tem de melhor, diversidade."
"Antártida" foi totalmente gravado em estúdio, com um alto investimento da Globo em telões que emularam a paisagem polar e em efeitos práticos para recriar o clima gélido hostil, entre neve falsa e enormes ventiladores.
Na trama, Inês, interpretada por Barbosa, é uma cientista recém-chegada na base brasileira na Antártida, ocupada principalmente por homens, com exceção de Elizabete, vivida por Beltrão, a segunda no comando, Marina, na pele de Leandra Leal, e Rose, interpretada por Mariana Sena.
O clima masculino e hostil transparece logo nos primeiros momentos de Inês na base. Há uma festa, ela fica alcoolizada, adormece e é estuprada. A partir daí, há uma sucessão de problemas, e Elizabete é forçada a assumir a chefia da base.
Ela inicia uma investigação para descobrir quem cometeu o crime, enquanto tramas paralelas entre os personagens interferem em sua busca.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.