IAs são ferramentas ótimas, mas não para substituir um sacerdote
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PhD em teologia pela Universidade de Aberdeen, é pastor presbiteriano, psicólogo e autor do livro “Cuidar de Si”
Pastorear sempre envolveu estar presente na vida das pessoas. Isso inclui visitar casas e hospitais e receber os fiéis nos escritórios das igrejas para aconselhamento. Com o avanço da inteligência artificial , alguns pastores começaram a redefinir essa atuação, criando avatares capazes de orientar, em seu lugar, quem os procura. O argumento é que essas ferramentas permitem assistir mais pessoas. Mas até que ponto essa suposta otimização compromete a própria essência do cuidado que um líder religioso oferece aos seus fiéis? Falo como pastor, mas penso que o dilema seja comum a todas as religiões. Uma reportagem publicada recentemente pelo New York Times apresentou a experiência de Justin Lester, pastor da Friendship Baptist Church, na Califórnia. Lester criou um avatar de inteligência artificial alimentado com cerca de dois milhões de palavras extraídas de seus sermões, leituras e correspondências.
O objetivo é fazer com que o sistema reproduza sua voz, seu modo de falar, suas referências bíblicas e algumas características de sua personalidade. Assim, por texto, telefone ou vídeo, qualquer pessoa pode conversar com essa versão digital do pastor a qualquer hora. Quando li a matéria, me lembrei de um episódio narrado no Evangelho de Marcos (1.35-38). Certa madrugada, Jesus se retirou para um lugar deserto. Ao encontrá-lo, os discípulos disseram: "Todos estão te procurando". Jesus, porém, não voltou para atender àquela demanda. Preferiu seguir para outro lugar. O texto me serve como lembrança de que quem cuida de pessoas também precisa reconhecer que nem toda demanda é uma missão. Líderes religiosos sempre conviveram com demandas que ultrapassam sua disponibilidade. Pessoas adoecem, enfrentam crises conjugais, questionam a fé e procuram orientação em horários imprevisíveis. Nem sempre é possível atendê-las. Quando isso acontece, elas esperam ou procuram outra pessoa. E o cuidado recebido não perde o valor por isso. A ideia de que um avatar deve ocupar o espaço que o pastor não consegue preencher revela certo personalismo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.