ICE quer gastar US$ 20 milhões em luvas de choque elétrico, diz agência
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) planeja gastar até US$ 20 milhões (cerca de R$ 103 milhões) na compra de milhares de luvas capazes de aplicar choques elétricos dolorosos. A agência de notícias AP informou que os equipamentos devem ser adquiridos até março do ano que vem.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos publicou na segunda-feira um aviso sobre a compra dos dispositivos para agentes e funcionários do ICE. A contratação sem licitação pode ser anunciada já na sexta-feira.
As luvas, chamadas G.L.O.V.E., foram projetadas para provocar dor e levar pessoas que resistem à abordagem a obedecer em segundos. O nome é uma sigla em inglês para emissor de baixa voltagem.
O equipamento funciona como uma luva de patrulha comum até que o agente acione um interruptor para ativar o modo elétrico. Para produzir o choque, a luva precisa tocar diretamente a pele da pessoa, informa a fabricante Compliant Technologies LLC.
John Peters, presidente do Instituto para a Prevenção de Mortes sob Custódia, compara a sensação a uma picada de abelha. "É imediato e agudo, e vai distrair você", diz Peters, que estuda o uso do dispositivo.
A Compliant Technologies LLC orienta que as luvas não sejam usadas como punição ou contra pessoas que apenas desafiem agentes verbalmente. A empresa também alerta que o dispositivo não deve ser usado em crianças, grávidas, idosos e pessoas com deficiência.
Segundo a empresa, agentes precisam concluir um curso e renovar a certificação a cada dois anos para usar o equipamento. A tecnologia já foi empregada por algumas polícias e prisões nos Estados Unidos, sobretudo em transportes e dentro de unidades de detenção.
A American Civil Liberties Union criticou a possível compra e questionou a necessidade das luvas na fiscalização civil de imigração. "Introduzir luvas que podem ser usadas tão facilmente para provocar uma dor terrível em abordagens é uma receita para prejudicar o público", afirma Jenn Rolnick Borchetta, diretora-adjunta de projeto da entidade.
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