Nubank dispara 14% no pré-mercado em NY após lucro recorde de US$ 1,1 bilhão; o que fez o mercado voltar a confiar no roxinho?
Resultado do 2T26 veio acima das expectativas, levou o ROE a 33% e ajudou a aliviar os temores sobre a qualidade do crédito
Desde que o Nubank (ROXO34) divulgou os números do segundo trimestre (2T26) , na noite passada (13), as ações ganharam fôlego em Wall Street, com um novo voto de confiança do mercado no roxinho.
Antes da abertura do pregão em Nova York nesta sexta-feira (14), as ações do Nu chegaram a saltar 14,56% no pré-mercado , a US$ 15,93 .
Não é difícil entender o motivo: lucro recorde de cerca de US$ 1,1 bilhão e ROE de 33% , em um balanço que superou as expectativas e ajudou a tirar um pouco do peso das preocupações com a qualidade da carteira de crédito da fintech .
“Vemos este resultado como uma surpresa positiva de qualidade, ainda que o Desenrola possa ter contribuído. É difícil reclamar de uma expansão tão significativa da margem financeira (NIM) ajustada ao risco e de um ROE de 33%”, afirma o JP Morgan .
Na avaliação da XP Investimentos , o principal responsável pela surpresa positiva no 2T26 do Nubank foi justamente a recuperação da margem financeira (NIM) ajustada ao risco , que avançou de 9,5% para 12,4% entre o primeiro e o segundo trimestre.
A melhora veio acompanhada de maiores receitas de crédito, menor custo de risco e melhor utilização do balanço, com o índice de Empréstimos/Depósitos (LDR) continuando a subir.
“Isso indica que a recuperação não ocorreu apenas devido a uma redução nas provisões, mas também porque o crescimento do crédito originado nos últimos trimestres está se traduzindo em maiores receitas e melhor utilização do balanço após o aumento do LDR”, avaliam os analistas da XP.
O ponto é importante porque ajuda a separar uma melhora pontual de uma evolução mais estrutural do negócio. Segundo a XP, o programa Desenrola representou apenas uma pequena parcela da recuperação da margem, indicando que os fundamentos da carteira tiveram papel mais relevante para o resultado.
“Acreditamos que os resultados reforçam a capacidade superior do Nubank para avaliar e conceder crédito, o aumento da principalidade dos clientes e o forte potencial de monetização, sustentando níveis elevados e sustentáveis de rentabilidade para os próximos períodos”, disse a XP.
Sob a ótica de qualidade de carteira, apesar da alta da inadimplência acima de 90 dias, a XP considera que a qualidade do crédito continua saudável no Nubank.
Isso porque os atrasos iniciais recuaram, mesmo com a fintech expandindo deliberadamente a concessão para segmentos de maior risco — mas que também oferecem retornos ajustados ao risco mais atrativos.
Mas, para a corretora, há um porém: o 2T26 provavelmente representou o limite superior da faixa para a NIM ajustada ao risco.
“Parte da expansão observada no segundo trimestre refletiu fatores sazonais favoráveis que devem se reverter nos próximos trimestres, à medida que o crescimento da carteira de crédito continua, os benefícios sazonais desaparecem e itens não recorrentes perdem efeito”, avalia a XP.
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