Putin tem vitória recorde em eleição parlamentar criticada
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Na primeira eleição parlamentar realizada na Rússia após a invasão da Ucrânia , o partido de sustentação ao governo de Vladimir Putin teve uma vitória recorde em termos de ganhos de cadeiras na Duma, a Câmara dos Deputados do país.
Seus aliados diretos terão 29 cadeiras, enquanto os algo mais distantes Partido Comunista e Novo Povo caíram respectivamente de 57 para 40 e de 15 para 4 lugares. Foram apurados 95% dos votos , divididos em lista partidária e candidaturas individuais, e o resultado final sai na sexta (25).
Com isso, o plano de Putin de envernizar sua liderança e o conflito iniciado em 2022 com o respaldo popular foi concretizado: o comparecimento de 60% foi o maior desde 2003. No jogo de poder russo, esse apoio é central para a manutenção do controle do Kremlin.
Esta eleição foi a menos livre da história da Rússia pós-soviética, menos pelas usuais alegações de fraude que são mais comuns nas disputas regionais, e mais pela calcificação final do sistema político sob Putin. A guerra lhe deu instrumentos para enterrar de vez o que havia de oposição no país.
O pleito apenas confirmou o cenário político único sob a liderança de Putin neste momento, em que mesmo o voto de protesto pontual foi coibido.
Leis aprovadas após a invasão punem severamente a crítica ao conflito ou às Forças Armadas. Assim, o único partido de uma oposição consentida pelo Kremlin, o liberal Iabloko (maçã, em russo), foi barrado pela Justiça de concorrer no voto em lista.
Não que tivesse muita chance, num país em que a avaliação positiva de Putin até caiu recentemente, mas flutua acima dos 70% em pesquisas oficiais e independentes. Nenhum deputado do Iabloko, dos poucos que puderam concorrer individualmente, foi eleito.
O partido encolheu também nas eleições legislativas em nível regional, passando de representação em três Parlamentos para apenas um. Houve também pleito para governos, com domínio de aliados de Putin, notavelmente o tchetcheno Ramzan Kadirov, reeleito com folclóricos 99,85% do voto.
No voto federal, o Rússia Unida, criado em 2001 para apoiar Putin, teve quase 58%, um pouco abaixo do recorde de 64% de 2007 —quando de resto só havia voto em partidos, não em candidatos avulsos.
Veteranos da guerra, que o Kremlin vende ao eleitorado como "a nova elite do país", somarão 86 deputados na nova legislatura. Não alinhados oficialmente ao governo, os comunistas e os integrantes do Novo Povo votam por políticas pró-Putin invariavelmente.
A guerra esteve bastante presente no pleito. No domingo (20), terceiro dia da votação, Kiev promoveu o maior ataque aéreo contra a região de Moscou desde o começo da guerra, com mais de 450 dos 1.000 drones lançados contra o país.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.