Quarenta anos depois de Chernobyl, partículas radioativas enterradas no solo se mostraram muito mais estáveis do que os cientistas esperavam
Micropartículas radioativas de Chernobyl mantiveram a estrutura cristalina original 40 anos depois do acidente, aponta estudo com raios X
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O que você vai ver Como os cientistas conseguiram observar a estrutura interna dessas partículas. Que tipos diferentes de partículas radioativas foram identificados. Por que elas se mantiveram tão estáveis depois de tantas décadas. O que essa estabilidade pode significar para a mobilidade da contaminação. Por que isso não muda as restrições atuais na zona de exclusão. Quatro décadas depois do acidente de Chernobyl, cientistas descobriram que micropartículas radioativas ainda enterradas no solo ao redor da usina mantiveram boa parte de sua estrutura cristalina original, estabilidade bem maior do que a esperada para um material exposto ao ambiente por tanto tempo.
Uma equipe do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR), com participação da Leibniz Universität Hannover, analisou seis micropartículas radioativas coletadas em duas localidades de Chernobyl, medindo entre 8 e 50 micrômetros, usando difração de raios X em sincrotron no Rossendorf Beamline, em Grenoble, onde cada partícula foi girada no feixe de luz e medida a partir de 2.000 ângulos diferentes para reconstruir sua estrutura interna em detalhe.
A análise revelou três tipos distintos de partículas: as semelhantes ao dióxido de urânio original do combustível nuclear, as que ficaram envoltas ou fundidas com zircônio proveniente da estrutura do reator derretido, e as formadas quando a grafite usada como moderador queimou por cerca de dez dias após o acidente, processo que oxidou parte do combustível em compostos como o U3O8, mais frágeis mecanicamente.
Mesmo após quatro décadas expostas ao ambiente, as micropartículas mantiveram grande parte da estrutura cristalina original do combustível nuclear, resultado inesperado que sugere que o material não se degrada tão rapidamente quanto se presumia, preservando em grande medida a organização atômica que tinha logo após o acidente de 1986.
As partículas parecem reter os produtos de fissão em sua própria estrutura em vez de liberá-los rapidamente para o ambiente, comportamento que, se confirmado como comum ao restante do material espalhado pela região, poderia limitar a migração de contaminantes radioativos para o solo e os lençóis freáticos ao longo dos anos.
Os próprios pesquisadores alertam que a amostra analisada é pequena e que cada partícula tem uma estrutura própria, havendo tipos mais persistentes que ainda podem liberar radionuclídeos no futuro, razão pela qual a descoberta não significa que a contaminação se tornou inofensiva, nem justifica qualquer suspensão das restrições de acesso à Zona de Exclusão de Chernobyl.
Descobertas que revelam como materiais resistem ao tempo de formas inesperadas também aparecem na reportagem sobre a rede de lojas de desconto que fechou as 371 unidades de uma vez após mais de quatro décadas de operação .
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.