Grande invasão de lesmas espanholas afeta várias regiões na Rússia
Há muito que fazem parte do ecossistema russo, mas este ano bateram todos os recordes de população. As lesmas espanholas, Arion vulgaris, tornaram-se uma verdadeira praga para jardins, hortas e parques em vários países, incluindo a Rússia.
Moluscos de grandes dimensões, de cor viva e pouco natural, causam choque. São encontrados sobretudo pelos habitantes de Moscovo, de São Petersburgo e da região de Leninegrado, que se tornaram os principais focos deste problema agroclimático.
Aos avisos inquietantes dos biólogos juntaram-se os médicos: os especialistas sublinham que as lesmas são portadoras de parasitas, bem como de listeriose e estafilococos. A sua mucosidade tóxica, em contacto com a pele, pode provocar irritação ou alergia, e um animal de companhia que engula uma lesma por acidente arrisca-se a ser infetado por um verme pulmonar.
A grande questão é: o que fazer? Os especialistas estimam que, nos epicentros do surto, a densidade da população em dias húmidos chega a dezenas de adultos por metro quadrado. Alertam que é possível controlar a praga apenas com uma abordagem integrada.
Uma das formas mais simples consiste em cortar regularmente a vegetação, porque a erva alta cria uma sombra húmida ideal para o conforto das lesmas. Campos e canteiros devem ser rodeados por barreiras feitas de materiais que ferem o ventre dos moluscos, como areia de rio, cinza ou até casca de ovo triturada.
Os especialistas associam a dimensão inédita da atual invasão às particularidades climáticas dos últimos meses. A suavidade do inverno deste ano permitiu a sobrevivência de um número recorde de ovos depositados no outono e de indivíduos jovens, e as chuvas frequentes da primavera e do verão criaram um efeito de estufa ideal para estes moluscos.
A espécie Arion vulgaris é conhecida desde o século XIX. Em 1855, foi descoberta e descrita pelo francês Alfred Moquin-Tandon. Durante muito tempo pensou-se que a lesma tinha origem na Península Ibérica, o que lhe valeu o nome. Investigações genéticas recentes indicam, porém, que a sua área de origem histórica é, muito provavelmente, França e o oeste da Alemanha.
A expansão mundial das lesmas espanholas só começou no final do século XX: o boom do comércio e o transporte de plantas ornamentais, mudas e terra ajudaram o molusco a colonizar toda a Europa Central, do Norte e de Leste.
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