Flávio imita Lula e deve descartar debates para evitar virar alvo
As equipes de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) consideram não ir a debates e sabatinas na reta inicial da campanha. O objetivo é evitar com que ele sejam os principais alvos dos ataques e que os adversários não tenham espaço para produzir material com objetivo de viralizar nas redes sociais. O primeiro debate, da Rede Bandeirantes, está marcado para domingo (23).
Formato do debate da Band considera os seis primeiros colocados. Além de Lula e Flávio, foram convidados Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Primeiro colocado e único da esquerda, Lula será alvo principal dos adversários. Para o petista, o impasse é o mais óbvio: ele, que lidera em todos os cenários de pesquisas, vai ser o alvo dos ataques em um cenário de quatro contra um.
Vice-líder, Flávio está distante dos outros. De acordo com um aliado do candidato, não faz sentido ele ir a um debate sem Lula por três motivos: o petista é o seu verdadeiro adversário; debater com os outros significaria referendar que eles têm chance na corrida eleitoral, sendo que Flávio está a dezenas de pontos de distância dos concorrentes; e, sem Lula, ele vira o grande alvo dos outros três.
A lógica aplicada para Flávio é similar no caso das sabatinas. O cálculo leva em conta que, se ele participa de um programa para o qual Lula foi convidado e não foi, o filho do ex-presidente acaba aparecendo na mesma situação em que seus oponentes de menor tamanho eleitoral.
Quaest mostrou polarização entre Lula e Flávio, que estão isolados no topo. Pesquisa divulgada na última sexta-feira (14) apontou o petista com 38% ante 31% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seguida, estão Caiado e Renan com 4% cada um, seguidos de Zema e Cury, ambos com 2%.
Outro risco, segundo aliados de Lula e Flávio, é que os debates sirvam para os candidatos menores provocarem "cenas de efeito". Ou seja: em vez de discutir um conteúdo com seriedade, o debate corre risco de virar material audiovisual para propagar desinformação e criar constrangimento para o candidato, com único objetivo de produzir cortes para redes sociais.
Debate da Band é o primeiro presidencial agendado. O evento de domingo será feito em parceria com TV Cultura, TV Gazeta, O Estado de S. Paulo, Jovem Pan e YouTube. As campanhas —incluindo de Lula e de Flávio— participaram do sorteio para definir a posição de cada um no estúdio.
Outros três debates estão já estão marcados. Para o dia 14 de setembro, o de um consórcio liderado pelo SBT; no dia 28, da Record; e no dia 1º de outubro, o da TV Globo. O primeiro turno é dia 4 de outubro.
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