Setor de fertilizantes pede subsídio de R$ 2 bilhões para enxofre
O setor de fertilizantes elaborou uma proposta de subvenção emergencial para a importação de enxofre e ácido sulfúrico, estimada em até R$ 2,02 bilhões, para evitar a paralisação da produção nacional de fertilizantes fosfatados.
O documento, obtido pela CNN, foi elaborado por entidades da indústria e pelo Sinprifert (Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes) após reunião realizada na última semana entre o ministro da Agricultura e representantes do setor.
Segundo o country manager da Mosaic, Eduardo Monteiro, que participou da reunião, a expectativa é de apresentar o documento ao ministro André de Paula nos próximos dias.
Leia Mais Entre crises e incentivos, o teste real do Profert Planos miram autossuficiência, mas produção nacional de fertilizantes recua Tensão em Ormuz afeta produção de fertilizantes no Brasil A nota técnica argumenta que o aumento do preço internacional do enxofre comprometeu a rentabilidade das fábricas brasileiras e pode levar à interrupção das operações ainda neste ano.
Segundo o documento, o enxofre importado chegou a US$ 1.200 por tonelada em julho, alta de 1.225,6% em relação a janeiro de 2024, enquanto o fertilizante MAP (fosfato monoamônico), principal produto da cadeia, acumulou valorização de 60,7% no mesmo período.
A proposta entregue ao governo prevê uma Medida Provisória que subsidie 85% da parcela do preço do enxofre que ultrapassar US$ 500 por tonelada e do ácido sulfúrico acima de US$ 152 por tonelada.
O benefício teria duração limitada, com teto de 600 mil toneladas de enxofre e 150 mil toneladas de ácido sulfúrico durante a vigência do programa.
Pelos cálculos das entidades, considerando os preços de julho e câmbio de R$ 5,07 por dólar, o desembolso total seria de R$ 2,02 bilhões, equivalente a R$ 672,5 milhões por mês em um programa de três meses.
Caso o preço internacional recue, o valor da subvenção diminuiria automaticamente até zerar quando o enxofre voltasse ao patamar de US$ 500 por tonelada.
O documento afirma que avaliações de mercado na segunda quinzena de agosto já apontavam o preço do enxofre próximo de US$ 800 por tonelada.
Nesse cenário, o custo estimado do programa cairia para cerca de R$ 900 milhões.
Indústria calcula impacto de até US$ 3,5 bilhões na soja A principal justificativa econômica apresentada pelas entidades é o impacto da alta do enxofre sobre os custos da produção agrícola e sobre a balança comercial.
Segundo a nota, a safra de soja 2026/27 já apresenta o maior custo de produção da última década, com aumento equivalente a 5,7 sacas por hectare em relação à média dos últimos sete anos.
O fertilizante é apontado como o principal fator de pressão sobre os custos, em um cenário de crédito mais caro e restrição de capital de giro.
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